Casa Branca pede ao Congresso que investigue se Obama ordenou escutas a Trump

Pedido de Trump surge um dia depois de o atual presidente dos EUA ter denunciado no Twitter a vigilância ilegal do antecessor

A Casa Branca pediu este domingo ao Congresso dos EUA que examine se a administração Obama abusou dos "poderes de investigação" durante a campanha para as presidenciais de 2016. Esta análise, refere a agência Reuters, deverá fazer parte da investigação que já decorre no Congresso à influência da Rússia nas eleições para a presidência norte-americana.

O Presidente, Donald Trump, "solicita que, no âmbito das suas investigações sobre as atividades relacionadas com a Rússia, as comissões sobre os serviços secretos do Congresso exerçam a sua autoridade de supervisão para determinar se o poder executivo excedeu, em 2016, os seus poderes de investigação", afirmou em comunicado Sean Spicer, porta-voz da Casa Branca.

O pedido da Casa Branca foi feito um dia depois de o presidente Donald Trump ter acusado o seu antecessor, Barack Obama, de ter ordenado escutas aos telefones da Trump Tower, que foi sede de campanha do candidato republicano, antes das eleições de passado mês de novembro.

"Terrível! Acabo de descobrir que Obama me pôs sob escuta na Trump Tower mesmo antes da vitória. Nada foi encontrado. Isto é mccarthismo!", escreveu Trump no Twitter no sábado, comparando os alegados métodos de Obama aos do senador Joseph McCarthy que nos anos 1950 protagonizou a perseguição aos comunistas que ficou conhecida como "caça às bruxas".

O presidente - que já acusara Obama de orquestrar os protestos contra ele - não se ficou por aqui. Sem apresentar provas que sustentem declarações desta gravidade contra um ex-presidente, Trump tuitou ainda: "É legal um presidente em exercício mandar escutar uma corrida à presidência antes das eleições? Recusado pelo tribunal. BATEU NO FUNDO!" e acrescentou: "Aposto que um bom advogado podia provar que o presidente Obama mandou escutar os meus telefones em outubro, mesmo antes das eleições!". E rematou: "O presidente Obama bateu no fundo ao mandar escutar os meus telefones em pleno processo eleitoral. Isto é Nixon/Watergate. Tipo mau (ou doente)!". Aqui numa referência às escutas mandadas colocar na sede do Partido Democrata, no edifício Watergate, durante as eleições de 1972 e que acabaram por levar o presidente Richard Nixon a deixar o cargo dois anos depois para não ser destituído.

O porta-voz de Obama, Kevin Lewis, limitou-se a garantir que "nem o presidente Obama nem qualquer outro responsável da Casa Branca alguma vez mandou escutar um cidadão americano". Mas Ben Rhodes, antigo conselheiro do presidente democrata, negou as acusações de forma bem mais veemente. "Não, um presidente não pode ordenar uma escuta. Essas restrições foram criadas para proteger os cidadãos de pessoas como o senhor", escreveu Rhodes no Twitter. Já o democrata Eric Swalwell, membro da Comissão dos Serviços Secretos da Câmara dos Representantes, desvalorizou as acusações, que disse não passarem de o "presidente a fazer a sua rotina tuiteira madrugadora".

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