Cardeal cubano Jaime Ortega morreu hoje aos 82 anos

O cardeal foi mensageiro do Papa Francisco durante os 18 meses de negociações secretas que levaram ao anúncio inesperado de uma reaproximação entre Cuba e os Estados Unidos em dezembro de 2014.

O cardeal de Cuba, Jaime Ortega, arquiteto da reaproximação histórica entre o seu país e os Estados Unidos no final de 2014, morreu hoje aos 82 anos, em Havana, anunciou fonte eclesiástica cubana.

"O cardeal Ortega morreu e quando começamos a sentir a sua ausência física, ressurgem, com a nossa gratidão, memórias das suas qualidades pessoais e o seu incansável zelo pastoral", refere um comunicado assinado pelo arcebispo de Havana, Juan da Caridad Garcia Rodriguez.

Em junho passado, autoridades da Igreja Católica alertaram sobre o grave estado de saúde do cardeal Ortega, que sofria de cancro no pâncreas e entrou em fase terminal quando deixou os tratamentos deixaram de fazer efeito.

Nascido em 18 de outubro de 1936 e considerado um homem de consenso, Jaime Ortega liderou a Igreja cubana por 35 anos.

Ortega apresentou a sua renúncia em 2011, conforme exigido pelas regras do Vaticano, quando um arcebispo atinge 75 anos, no entanto, o Papa Francisco só aceitou o pedido em 2016.

Foi também o rosto mais visível da Igreja Católica Cubana e responsável das históricas visitas pastorais do Papa João Paulo II a Cuba em janeiro de 1998, Bento XVI em 2012 e Francisco em 2015.

O cardeal foi mensageiro do Papa Francisco durante os 18 meses de negociações secretas que levaram ao anúncio inesperado de uma reaproximação entre Cuba e os Estados Unidos em dezembro de 2014.

Este degelo foi acompanhado por uma troca de prisioneiros entre os antigos inimigos da Guerra Fria e a visita histórica do Presidente dos EUA, Barack Obama, à ilha em 2016.

Contudo, esta reaproximação teve uma curta duração, com a chegada à Casa Branca de Donald Trump em 2017 que impôs uma série de sanções contra Cuba, pelo seu apoio ao Governo venezuelano de Nicolás Maduro.

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