Bruxelas: "cenário mais provável" é saída "sem acordo" no dia 12

A Comissão Europeia anunciou que está preparada para qualquer dos cenários, incluindo para aquele que é considerado o mais caótico: uma saída do Reino Unido da UE sem acordo.

A Comissão Europeia avisa que o "cenário mais provável", à luz da decisão do Parlamento Britânico de chumbar o acordo para o Brexit apresentado pela primeira-ministra Theresa May, é a saída sem acordo.

Esta semana, ficaram concluídos os planos de contingência, para o caso de a 12 de abril o Reino Unido deixar a União Europeia de forma desordenada.

E, na curta nota, emitida minutos depois de ser conhecida a nova rejeição do acordo de Theresa May, a Comissão Europeia anunciou que está preparada para qualquer dos cenários, incluindo para aquele que é considerado o mais caótico.

Na reação de Bruxelas, lê-se ainda o aviso dirigido ao Reino Unido de que os benefícios do Acordo de Saída, incluindo um período de transição, não poderão ser, em nenhuma circunstância, replicados no cenário de um "não acordo". E, nem serão admitidas pequenas negociações por sectores.

A Comissão Europeia lamenta a decisão, adotada esta sexta-feira pelo Parlamento britânico, lembrando que cabe ao Reino Unido indicar o caminho a seguir antes da data de 12 de abril, para apreciação pelo Conselho Europeu.

A decisão deverá ser comunicada numa cimeira, que foi de imediato marcada pelo presidente do conselho europeu. Donald Tusk convoca os chefes de estado e de governo da União Europeia para uma cimeira extraordinária de emergência a 10 de abril - daqui a menos de duas -semanas -, com o propósito de ouvir a primeira ministra britânica indicar qual das vias pretende seguir.

Cenários

Todos os cenários continuam em aberto. Sendo que alguns implicam condições, como por exemplo o de uma extensão prolongada, o qual requer que sejam realizadas eleições europeias no Reino Unido. É essa a razão pela qual Londres tem até dia 12 para dizer o que pretende fazer. Pois essa é a data limite, à luz da lei eleitoral britânica, que permite um mínimo de dias, até 23 de maio.

Esta semana, durante a sessão plenária em Estrasburgo, o presidente do Conselho Europeu dirigiu-se esta sexta-feira aos eurodeputados, afirmando que os apelos à permanência do Reino Unido na União Europeia ou à realização de um novo referendo não podem ser ignorados.

"Vocês não podem trair os seis milhões de pessoas que assinaram a petição para revogar o artigo 50. [Ou] o milhão de pessoas que desfilaram por um novo referendo, ou a maioria crescente de pessoas que querem permanecer na União Europeia", afirmou Donald Tusk.

A afirmação de Tusk era também um recado para quem, no Parlamento Europeu se opôs à realização de eleições europeias no Reino Unido, no caso de uma extensão além de 23 de maio.

"Deixem-me ser claro, esse pensamento é inaceitável", afirmou o presidente do Conselho Europeu, lembrando que "antes da cimeira, disse que deveríamos estar abertos a uma extensão longa, se o Reino Unido quisesse repensar a sua estratégia para o Brexit - o que, obviamente significa a participação do Reino Unido nas eleições para o Parlamento Europeu".

Tusk lamentou que houvesse "vozes a dizer que isso poderia ser perigoso ou inconveniente, na perspetiva de alguns de vós [dos eurodeputados]". O polaco defendeu também que os subscritores da petição que pretende cancelar a saída do Reino Unido da União Europeia, devem ter quem os represente no bloco europeu.

"Eles podem sentir que não estão suficientemente representados pelo Parlamento Britânico. Mas, eles têm de se sentir representados pela União Europeia neste Parlamento. Porque eles são europeus", vincou o Tusk.

Em Bruxelas

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