May pondera antecipar eleições para novembro. Ministros alertam para fim do Reino Unido

A equipa da primeira-ministra britânica começou a avaliar os planos de contingência para um eventual bloqueio nas negociações do brexit, avança o The Sunday Times. O The Guardian destaca o alerta de alguns ministros para os efeitos de uma saída sem acordo, que poderia significar, no extremo, o desmantelamento do Reino Unido

Segundo o The Sunday Times, após o plano de Theresa May para a saída do Reino Unido da União Europeia (o chamado brexit) ter sido rejeitado pelos líderes europeus, os assessores da ministra estudam a hipótese de eleições antecipadas para dar apoio público a uma eventual nova estratégia do Governo.

O semanário citou ainda uma conversa telefónica entre dois membros da equipa da primeira-ministra do Reino Unido, na qual é questionada a necessidade de convocar eleições antecipadas.

No entanto, uma fonte de Downing Street assegurou ao jornal que é "categoricamente incerto" o Governo britânico estar a preparar eleições e negou que estejam a decorrer reuniões para discutir a hipótese.

Em comunicado, Theresa May disse este domingo que é o momento de "manter a cabeça fria" e "controlar os nervos".

No documento, a primeira-ministra britânica acrescentou que sempre defendeu que as negociações do brexit seriam difíceis.

A líder do governo acusou ainda o Partido Trabalhista, o Partido Liberal Democrata e o Partido Nacionalista Escocês de quererem "aproveitar o momento para receber proveitos políticos".

Em junho de 2017, Theresa May convocou eleições antecipadas, antes de iniciar as negociações do brexit, perdendo a maioria absoluta que detinha no parlamento.

Ao nível da crise do Suez

De acordo com o The Guardian, Therea May estará a ser alertada por alguns dos seus ministros para o perigo de um hard brexit e as suas consequências nefastas sobre o Reino Unido. Após a primeira-ministra ter visto o seu plano rejeitado pelos 27 no Conselho Europeu na Áustria, algumas figuras do Partido Conservador garantem que Downing Street arrisca uma "calamidade ao nível da crise do Suez".

"É como a crise do Suez. Não fazemos ideias quais vão ser as consequências indesejadas. As próximas três semanas podem mudar tudo. A crise do Suez durou meses e agora estamos noutro possível ponto de viragem na história política do Reino Unido", afirmou uma figura dos conservadores ao The Guardian.

O resultado do descalabro em Salzburgo é que alguns ministros voltaram a falar num acordo de comércio livre com a UE. Um plano que outros membros do governo teme significar o regresso a uma fronteira rígida (hard border) entre a Irlanda e a Irlanda do Norte. E em última instância, à saída desta última do Reino Unido. Um cenário que reacenderia os desejos independentistas da Escócia.

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