Suborno do Brexit? Quase 2 mil milhões para regiões mais pobres do Reino Unido

Governo Britânico anuncia pacote financeiro de 1,9 mil milhões de euros a regiões com taxas de crescimento inferiores à média nacional. Porém, deputados da oposição acusam governo de subornar deputados que votaram a favor da saída do Reino Unido da União Europeia.

O governo britânico anunciou esta segunda-feira um pacote financeiro de 1,6 mil milhões de libras (1,9 mil milhões de euros) para áreas pobres do Reino Unido, medida descrita pela oposição como um "suborno" a deputados para aprovarem o acordo do 'Brexit'.

O 'Fundo Cidades Mais Fortes' destina-se a regiões com taxas de crescimento inferiores à média nacional, como o norte e o centro do país, que vão receber mais de 60%, destinado a criar novos empregos, a formar pessoas e a impulsionar a atividade económica.

"Durante muito tempo no nosso país, a prosperidade foi distribuída injustamente. A nossa economia tem funcionado bem em alguns lugares, mas queremos que tenha impacto em todas as comunidades", afirmou a primeira-ministra, Theresa May, num comunicado.

Segundo May, "comunidades por todo o país votaram no 'Brexit' como uma demonstração do desejo de ver uma mudança - tal deve ser uma mudança para melhor, com mais oportunidades e maior controlo".

Mas alguns deputados da oposição acusaram o Governo de estar a tentar aliciar deputados do Partido Trabalhista eleitos em círculos eleitorais que votaram a favor da saída do Reino Unido da União Europeia (UE) no referendo de 2016.

John McDonnell, dirigente do partido Trabalhista, declarou que o fundo "cheira a desespero de um Governo reduzido a subornar deputados".

Anna Soubry, dissidente do Partido Conservador que se juntou ao novo Grupo Independente no parlamento britânico, disse que "o investimento em competências e formação é sempre bem-vindo, mas é preciso ver o que está por detrás deste novo fundo e ver o que é - uma medida desesperada para comprar votos".

O anúncio acontece 25 dias antes da data do 'Brexit', numa altura em que o governo continua a tentar negociar com Bruxelas alterações ao acordo que consigam receber o apoio do parlamento, depois de o documento ter sido inicialmente chumbado em janeiro.

A primeira-ministra prometeu submeter um acordo reformulado para votação na Câmara dos Comuns até 12 de março, à qual se poderão seguir, se o texto for novamente reprovado, votos para sair da UE sem um acordo ou para adiar o 'Brexit'.

Tendo em conta a maioria reduzida no parlamento e a existência de deputados do próprio partido Conservador que são contra o 'Brexit', Theresa May precisa, não só de convencer deputados eurocéticos, mas também deputados do Partido Trabalhista para garantir que o acordo de saída é aprovado.

Alguns deputados do 'Labour', como Caroline Flint, têm declarado abertamente estarem dispostos a apoiar o governo contra a direção do partido da oposição para honrar o voto dos eleitores que representam no referendo de 2016.

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