Brasil à beira do caos após greve de camionistas

Ao quarto dia de paralisação, vacinas e remédios já faltam nos hospitais e farmácias, os supermercados racionam alimentos e o transporte público opera a meio gás. Governo Temer cede.

Pressionado pelo caos instalado por todo o Brasil com a greve de quatro dias dos camionistas em protesto contra a alta do preço do combustível, o governo liderado por Michel Temer cedeu às exigências dos manifestantes e congelou o preço do diesel em 2,10 reais [cerca de 50 cêntimos de euro]. A reunião, que inclui membros do executivo e de 10 das 11 entidades dos camionistas envolvidas na greve, deve resultar numa trégua de duas semanas.

Antes da negociação, as populações começaram a sentir os efeitos da paralisação dos 496 pontos de estrada em 25 dos 26 estados do país: filas homéricas nos postos de gasolina, racionamento de alimentos nos supermercados, seis milhões de litros de leite desperdiçados, falta de vacinas e remédios nos hospitais e farmácias, ambulâncias e rondas policiais a operarem a meio gás, transporte público cortado, portos e aeroportos com restrições, défice de peças em setores da indústria.

A solução governamental de congelar o preço causou entretanto stress na Petrobras, a estatal petrolífera, que recuou no seu processo de recuperação, ao perder 47,2 mil milhões de reais [11 milhões de euros aproximadamente] em valor de mercado num só dia. "Foi um movimento tático", disse o presidente da empresa Pedro Parente. A imprensa, no entanto, considerou que o congelamento se tornará "um dano incomensurável no planeamento estratégico da Petrobras", empresa atingida em cheio na Operação Lava-Jato.

São Paulo

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