Brancos e nulos chegavam para derrotar Bolsonaro

Ao todo, somando ainda a abstenção, 42 milhões de pessoas não escolheram um candidato na segunda volta das presidenciais brasileiras.

Jair Bolsonaro ganhou a segunda volta das presidenciais brasileiras com mais 10,8 milhões de votos do que Fernando Haddad. As contas podiam ter sido diferentes, caso todos os eleitores que votaram em branco ou anularam o seu voto (mais de 11 milhões de pessoas) tivessem apostado no candidato do Partido dos Trabalhadores. Isto sem contar com os mais de 30 milhões de eleitores que se abstiveram.

De acordo com os dados do Tribunal Superior Eleitoral, Bolsonaro conquistou 57,8 milhões dos votos válidos no Brasil, face a 47 milhões de Haddad. A diferença entre ambos foi de cerca de 10,8 milhões de votos.

Por seu lado, houve 2,5 milhões de votos em branco e 8,6 milhões de votos nulos, que somados chegam aos 11,1 milhões.

A percentagem de votos nulos (7,4%) foi a maior registada desde 1989. Nas presidenciais de 2014, tinham sido 4,5% dos votos. Foi uma subida de 60% em quatro anos.

Os estados de Minas Gerais e São Paulo foram os que tiveram a percentagem de votos nulos mais elevada no Brasil: 10,6% no primeiro caso (o que equivale a 1,3 milhões de eleitores) e 10% no segundo (2,6 milhões de eleitores).

Abstenção

Apesar de o voto ser obrigatório no Brasil, houve ainda 31,4 milhões de eleitores que se abstiveram, o que equivale a 21,3% do eleitorado brasileiro (uma percentagem semelhante à segunda volta das presidenciais de 2014). Na segunda volta de 2010, a abstenção tinha chegado aos 21,5%.

Na segunda volta, houve mais 1,2 milhões de eleitores a optar pela abstenção.

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