Boris reconhece necessidade de diálogo "sério e intenso" na Irlanda do Norte

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, esteve reunido com os líderes de cinco partidos em Belfast. Reiterou a promessa de que, mesmo no caso de um Brexit sem acordo, não haverá fronteira física com a República da Irlanda.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, reconheceu, após reunir com líderes partidários locais em Belfast, a necessidade de um diálogo mais "sério e intenso" para restabelecer o governo autónomo na Irlanda do Norte, por formar desde 2017.

Num comunicado, o gabinete do primeiro-ministro disse que, "embora houvesse um progresso construtivo nas últimas semanas em Stormont [sede do parlamento da Irlanda do Norte], agora precisava haver um empenho sério e intenso para alcançar um resultado".

Nas reuniões com o Partido Democrata Unionista (DUP), Sinn Féin, Alliance, Partido Trabalhista e Social Democrata (SDLP), Partido Unionista do Ulster (UUP), foi também discutida o processo da saída do Reino Unido da União Europeia (UE), prevista para 31 de outubro.

Segundo o comunicado, o primeiro-ministro deixou claro que o Reino Unido vai sair da UE em outubro, mas reafirmou a intenção de fazê-lo com um acordo de saída.

"Ele disse que, em qualquer cenário, o governo mantém firme o compromisso com o acordo de Belfast Sexta-feira Santa e que em nenhuma circunstância vão existir controlos físicos ou infraestruturas na fronteira" com a Irlanda.

Um Brexit sem acordo põe em causa a livre circulação de bens com o país vizinho prevista pelos acordos de paz de 1998 para a província britânica e garantia pela participação britânica no mercado único europeu.

Para salvaguardar esta questão, foi incluída no Acordo de Saída negociado pelo governo de Theresa May com Bruxelas uma solução de último recurso, designada por backstop, que consiste em criar um "território aduaneiro comum", abrangendo a UE e o Reino Unido, no qual não haveria quotas ou tarifas para produtos industriais e agrícolas.

Esta solução só entraria em vigor após o período de transição previsto para se prolongar até ao final de 2020 caso não fosse encontrado outro mecanismo, mas Boris Johnson considera que é "antidemocrática" porque sujeita o Reino Unido a regras da UE por um tempo indeterminado, e o DUP opõe-se porque implicaria regras diferentes para a Irlanda do Norte diferentes do resto do país

A presidente do partido Sinn Féin, Mary Lou McDonald, defendeu que o impacto de um Brexit sem acordo deve incluir um referendo na Irlanda do Norte para a unificação com a República da Irlanda, tal como está previsto nos acordos de paz.

A líder do partido Alliance, Naomi Long, mostrou-se descrente que o governo tenha planos para responder ao impacto "catastrófico" de um 'Brexit' sem acordo e disse que a incerteza é uma das razões para o "caos" político na Irlanda do Norte que impede a formação de um governo autónomo.

"O primeiro-ministro foi informado em termos claros que ele precisa de um plano para resolver isto e precisa de um rapidamente. Ao fazê-lo, talvez possamos alcançar um período de estabilidade e tentar restaurar a devolução" do poder a Belfast, vincou.

Nichola Mallon, líder do SDLP, que também se opõe a um 'Brexit' sem acordo, acusou Johnson de não perceber os problemas da Irlanda do Norte e de ver a situação "pelos olhos do DUP", o aliado na Câmara dos Comuns, no parlamento britânico, que mantém o Partido Conservador no poder.

"Fomos [para a reunião] preocupados que ele tivesse uma compreensão limitada das complexidades e fragilidades desta região. Essas preocupações foram confirmadas", lamentou.

O UUP e o DUP concordam com Boris Johnson que a solução para a Irlanda do Norte prevista no Acordo de Saída deve ser removida, mas a presidente do DUP, Arlene Foster, mostra-se satisfeita por Boris Johnson ter dito que "um referendo sobre a unificação não é algo que ele pretenda fazer".

"Estamos disponíveis para trabalhar com o primeiro-ministro no reforço da união [do Reino Unido], com o novo ministro [da Irlanda do Norte] para restaurar a autonomia, e em trabalhar com ambos para implementar o voto dos britânicos [no referendo] em junho de 2016 e concretizar o 'Brexit'", acrescentou.

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