Boris Johnson sobre Trump: "Há método na sua loucura"

Num jantar privado, chefe da diplomacia britânica falou sobre presidente norte-americano, brexit e Rússia.

O chefe da diplomacia britânica, Boris Johnson, disse num jantar privado que é cada vez mais um admirador do presidente norte-americano, Donald Trump: "Estou cada vez mais convencido que há método na sua loucura", afirmou diante de cerca de 20 pessoas, segundo o registo áudio do encontro ao qual o BuzzFeed teve acesso.

Na quarta-feira, Johnson foi o principal orador na receção do grupo Conservative Way Forward (um grupo conservador thatcherista), no Instituto de Diretores, em Londres. Depois, junto com um grupo de cerca de 20 pessoas, foi para uma sala privada para jantar, tendo ao longo de uma hora respondido às perguntas dos presentes, sem entraves.

"Imaginem o Trump a negociar o brexit", afirmou a certa altura. "Que ideia fantástica", acrescentou. "Ele iria entrar forte... haveria todo o tipo de caos. Toda a gente pensaria que tinha enlouquecido. Mas na realidade poderíamos chegar a algum lado. É uma ideia muito boa", acrescentou, segundo o BuzzFeed.

Brexit

Precisamente sobre as negociações da saída do Reino Unido da União Europeia, Johnson avisa para o risco de haver um "colapso" e revela que a primeira-ministra, Theresa May, vai entrar numa fase "muito mais combativa com Bruxelas".

"Temos que enfrentar o facto de que pode haver um colapso. Ok? Não quero que ninguém entre em pânico durante o colapso. Não entrem em pânico. Vai ficar tudo bem no final", indicou o chefe da diplomacia, dizendo que o brexit vai acontecer e será "irreversível".

Contudo, admitiu que existe o risco de "não ser o [brexit] que queremos", mas um que viola muita das "linhas vermelhas" dos que apoiam a saída do Reino Unido da União Europeia, mantendo o país "preso à órbita da UE, na união aduaneira e, em grande medida, ainda no mercado único".

E acrescentou: "A não ser que haja mudanças, a não ser que tenhamos coragem de avançar com a política independente, nunca vamos ter os benefícios económicos do brexit. Nunca vamos ter os benefícios políticos do brexit."

Para Boris Johnson, o ministro das Finanças, Philip Hammon, é "basicamente o coração do remain", isto é, daqueles que são contra o brexit. "Eles não querem qualquer problema na economia. Por isso estão a sacrificar todos os ganhos de médio e longo prazo por medo de problemas de curto prazo", afirmou.

Rússia e Putin

O chefe da diplomacia britânica falou também da Rússia e do presidente russo, Vladimir Putin, dizendo que o Reino Unido está a assumir a liderança do combate à hostilidade do Kremlin contra outros países. "Putin sente-se envergonhado por ser o líder de um país que tem uma importância global cada vez mais reduzida", indicou.

"Quando era criança, a Rússia importava verdadeiramente. Agora, tem uma economia do tamanho da Austrália. Sim, têm uma séria de armas nucleares, mas a sua verdadeira importante é muito reduzida. Putin é um revanchista. Quer causar problemas. Quer incomodar pessoas como nós", disse Johnson.

E anunciou que Theresa May, na reunião do G7 que começa hoje no Quebeque, vai apresentar um novo plano para lidar com a agressão do Kremlin. "Ela vai apresentar um plano britânico que terá apoio global de criar uma unidade de resposta rápida para identificar a má conduta russa... quer seja guerra cibernética, assassinatos, revelá-la e identificá-la", afirmou.

O Reino Unido acusou Moscovo de estar por detrás do envenenamento ao ex-espião russo Sergei Skripal e à filha, em solo britânico, num caso que levou vários países a expulsar diplomatas russos.

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