"Saímos da UE a 31 de outubro, com acordo ou sem". Boris Johnson ameaça com No Deal

Poucas horas depois de a primeira-ministra britânica, Theresa May, ter anunciado a sua demissão, o favorito à sua sucessão diz que o Reino Unido vai "sair da UE, a 31 de outubro, com acordo ou sem"

"Vamos sair da União Europeia a 31 de outubro, com acordo ou sem. A melhor maneira de conseguir um bom acordo, é preparando-nos para um não acordo". As palavras são de Boris Johnson, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros de Theresa May, favorito à sua sucessão na liderança do Partido Conservador e no N.º 10 de Downing Street. 31 é o prazo limite para o Reino Unido sair da UE, segundo a validade da nova extensão do Artigo 50.º concedida a Londres, o que permitiu adiar o Brexit (inicialmente previsto para 29 de março).

Johnson, ex-presidente da Câmara de Londres que, durante anos, foi jornalista em Bruxelas, falava na Suíça, durante uma conferência económica, poucas horas depois de May anunciar a sua demissão da liderança dos conservadores e da chefia do governo britânico. Johnson, que foi citado por media britânicos como o The Independent, enalteceu o trabalho e a paciência de May, prometendo: "Um novo líder terá a oportunidade de fazer as coisas de forma diferente e agora chegou a altura de um novo governo".

O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, de 54 anos, considerou que um segundo referendo sobre o Brexit é "uma ideia muito má" porque divide o país. Recorde-se que no referendo de 23 de junho de 2016, 52% dos eleitores votaram a favor da saída do Reino Unido da UE, 48% votaram a favor da permanência britânica no clube europeu.

As declarações de Johnson, que terá ainda de enfrentar outros candidatos para conseguir suceder a May, esbarram de frente com as que sempre foram feitas pelos diversos líderes europeus: o acordo do Brexit está fechado, não é renegociável e a UE não vai permitir o regresso de uma fronteira física entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda depois da saída do Reino Unido da UE.

"A nossa posição em relação ao Acordo de Retirada e tudo o resto está fechada. Não há alterações em relação a isso", disse esta sexta-feira, em Bruxelas, uma porta-voz do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. Do lado da França e do presidente Emmanuel Macron surgiram hoje homenagens a May, pela sua coragem, mas também pedidos de uma clarificação clarificação por parte do Reino Unido em relação ao Brexit. Do lado da Alemanha, um porta-voz da chanceler Angela Merkel enalteceu o trabalho da líder britânica e, de forma menos ríspida, declarou: "Nós, tal como a UE no seu todo, estamos interessados em que seja encontrada uma boa solução para os britânicos".

Recorde-se que Johnson de demitiu do governo de May, em rutura com a proposta da primeira-ministra para o Brexit, o chamado plano de Chequers. Acusou-a mesmo de querer pôr "um colete suicida" à volta da Constituição britânica e "entregar o detonador" a Bruxelas.

O No Deal Brexit sempre foi uma hipótese em cima da mesa e, há muito tempo já, a Comissão Europeia, Londres e os restantes membros da UE têm planos de contingência preparados para o caso de uma saída desordenada do Reino Unido da União Europeia.

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