Boris imita cena de 'O Amor Acontece'; Corbyn reage a 'tweets' que o criticam

Os dois vídeos refletem a importância que os dois principais partidos britânicos dão às suas campanhas digitais, que são visíveis em plataformas como Facebook, Google, YouTube, Snapchat, Twitter e Instagram.

Os partidos Conservador e Trabalhista desencadearam um último esforço na campanha eleitoral com vídeos cómicos de Boris Johnson a parodiar a comédia romântica "O Amor Acontece" (Love Actually, no original) e de Jeremy Corbyn a reproduzir uma das rubricas do talkshow norte-americano Jimmy Kimmel, em que famosos reagem a tweets que os criticam.

No vídeo do Partido Conservador, publicado nas redes sociais, o primeiro-ministro reproduz a cena que, no filme original de Richard Curtis, Andrew Lincoln confessa o amor a Keira Knightley, usando cartazes brancos com mensagens escritas.

Em vez de recados românticos, nos cartazes empunhados por Johnson estão vários dos chavões da campanha eleitoral, incluindo: "Com sorte, no próximo ano teremos o Brexit (se o Parlamento não o bloquear novamente)".

Em declarações hoje à BBC Radio 4, o ator Hugh Grant, que fez parte do elenco do filme de 2003 e que também incluía a portuguesa Lúcia Moniz, elogiou o vídeo, que considerou "bastante bem feito", mas questionou uma falha.

"Eu reparei que um dos cartazes do filme original que ele não mostrou foi aquele onde Andrew Lincoln segurava a dizer 'no Natal temos de dizer a verdade'. Pergunto-me se os assessores de imagem do partido Conservador pensaram que era um cartaz que não ficaria muito bem nas mãos de Boris", ironizou.

Grant é um ativista político contra o Brexit que tem participado em campanhas de candidatos Liberais Democratas e apelado ao voto tático contra o Partido Conservador nas eleições legislativas britânicas de quinta-feira.

No lado oposto, o partido Trabalhista também usou o humor para fazer campanha na Internet, reproduzindo a rubrica 'Mean Tweets' do programa de televisão norte-americano Jimmy Kimmel Live!, na qual celebridades são filmadas a ler os comentários negativos nas suas redes sociais.

Sentado junto a uma lareira, Corbyn lê as mensagens, uma das quais ridiculariza a promessa do Labour de providenciar banda larga gratuita no país inteiro, afirmando: "Nem todas as casas precisam de Internet rápida, seu moby".

O vídeo é interrompido quando Corbyn questiona o que é um "moby" e surge uma legenda, prometendo que os vídeos vão deixar de parar para carregar "graças à Internet rápida e gratuita do Labour!".

Os dois vídeos refletem a importância que os dois principais partidos britânicos dão às suas campanhas digitais, que são visíveis em plataformas como Facebook, Google, YouTube, Snapchat, Twitter e Instagram.

A organização "Who Targets Me" estimou que, até quinta-feira passada, o partido Conservador só tinha usado 10% dos 2,1 milhões de libras (2,5 milhões de euros) que gastou no Facebook nas eleições em 2017, mas que no fim de semana terá desembolsado cerca de 100 mil libras (119 mil euros) em anúncios no YouTube.

Desde então, o número de anúncios no Facebook terá disparado, e hoje o portal PoliticsHome dá conta de uma campanha dos Tories direcionada às mulheres, por ser um dos grupos demográficos junto dos quais Boris Johnson terá menos popularidade.

"Os Conservadores estão obviamente a aumentar as despesas e há rumores de que eles vão gastar milhões nos últimos dias da campanha", afirmou Mike Harris, presidente-executivo da agência digital 89up, ao Daily Telegraph.

Durante a campanha, o Partido Conservador foi criticado por mudar o nome de uma conta na rede social Twitter para parecer um serviço de verificação de factos independente durante um debate televisivo entre Johnson e Corbyn, e por usar imagens da BBC sem autorização.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG