"Bolsonaro traidor", gritam militares em Brasília (com vídeo)

Nova previdência, que prejudica baixas patentes e favorece generais e outros oficiais, causa revolta na categoria que mais defendia o presidente e ex-capitão. Congresso Nacional invadido pela comoção.

A Nova Previdência, uma reforma na Segurança Social que ocupou o essencial do dia-a-dia das negociações no Congresso Nacional do Brasil desde o início do governo liderado por Jair Bolsonaro, em janeiro deste ano, causou revolta entre militares de baixa patente, que se consideram esquecidos pelo presidente da República, ele próprio um capitão na reserva.

"Bolsonaro traidor" ecoou nos corredores e nas salas anexas da Câmara dos Deputados ontem ao fim da tarde no Brasil, princípio da noite em Portugal, depois de o partido do presidente e de outros apoiantes votarem contra um reajuste favorável a esses militares.

Num ambiente de grande comoção, com gritos e lágrimas, os militares e as suas famílias, base de apoio sólida do então candidato à presidente e hoje presidente eleito, expuseram a sua deceção: "Eu votei em você Bolsonaro, eu te defendi, você me conhece, é uma traição", grita uma mulher de militar que se apresenta como Telma Costa, em vídeo partilhado pelo site Congresso em Foco.

Outra diz ter chorado no dia da facada sofrida pelo candidato e também a 1 de janeiro, quando o presidente subiu a rampa. "Para nada..."

As reivindicações dos militares acabaram acolhidas pela oposição: "Bolsonaro afagou oficiais e apedrejou praças do Exército e militares, a insatisfação é grande num núcleo importante do bolsonarismo", comentou Erika Kokay, deputada do PT.

"O mito cai e a verdade vem à tona", completa Ivan Valente, do PSOL, de extrema-esquerda, o partido que redigiu a emenda favorável aos militares de baixo escalão.

"Bolsonaro defendia soldados e cabos, mas agora não?", reagiu o Delegado Waldir, deputado pelo PSL, o partido do presidente, mas em rota de colisão com o governo.

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