Bolsonaro fala em invadir a Venezuela e Maduro acusa-o de ser "imitador de Hitler"

O presidente venezuelano comparou o homólogo brasileiro ao ditador nazi, depois de este dizer que iria ouvir o Congresso sobre uma eventual invasão militar da Venezuela, mas que a decisão final seria sua.

"Filhote de fascista" e "imitador de Hitler". Estes foram os nomes que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, chamou ao seu homólogo brasileiro, Jair Bolsonaro, depois de este ter dito que a decisão sobre uma eventual invasão militar da Venezuela seria sua, apesar de admitir que iria ouvir também o Congresso.

"Vamos supor que haja uma invasão lá [na Venezuela]. A decisão vai ser minha, mas eu vou ouvir o Conselho de Defesa Nacional e depois o Parlamento brasileiro para tomar a decisão de facto", disse Bolsonaro na passada segunda-feira, numa entrevista à rádio Jovem Pan, citada pela Folha de São Paulo. Na mesma entrevista, acrescentou: "É nossa intenção e dos EUA que exista uma cisão no exército, porque são eles que ainda apoiam Maduro. São as Forças Armadas que decidem se um país vive em democracia ou numa ditadura", actescentou.

Maduro respondeu-lhe ontem, num encontro com a Federação Mundial de Juventudes Democráticas e com o Conselho Mundial de Paz, em Caracas: "A Venezuela rejeita de maneira absoluta as ameaças de guerra e invasão militar de Jair Bolsonaro contra o povo bolivariano nobre, pacífico e solidário." E lançou o seu próprio apelo aos militares brasileiro: "Peço às forças militares do Brasil que enfrentem a loucura de Jair Bolsonaro e a sua ameaça de guerra contra a Venezuela."

O presidente venezuelano, cujo segundo mandato não é reconhecido por meia centena de países que apoiam Juan Guaidó como presidente interino e apelam à realização de eleições, lembrou que Bolsonaro esteve recentemente nos EUA e em Israel. "No seu regresso das viagens veio mais louco que nunca. É um fascista. Mas nunca, jamais, um presidente do Brasil tinha ameaçado invadir um povo vizinho. Qual é a causa da guerra? Vai invadir-nos porquê? A Venezuela agrediu ou ofendeu o Brasil?", disse, lembrando que a Venezuela quer paz com o povo do Brasil.

"No final, quem é Bolsonaro? Um filhote de fascista, um filhote de Hitler. É isso que é Bolsonaro, um imitador de Hitler, um tipo louco que chegou à presidência, infelizmente", afirmou Maduro na mesma ocasião.

(A partir do minuto 32:50)

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

"O clima das gerações"

Greta Thunberg chegou nesta semana a Lisboa num dia cheio de luz. À chegada, disse: "In order to change everything, we need everyone." Respondemos-lhe, dizendo que Portugal não tem energia nuclear, que 54% da eletricidade consumida no país é proveniente de fontes renováveis e que somos o primeiro país do mundo a assumir o compromisso de alcançar a neutralidade de carbono em 2050. Sabemos - tal como ela - que isso não chega e que o atraso na ação climática é global. Mas vamos no caminho certo.