Bolsonaro cancela deslocação a jantar de homenagem nos EUA

O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, cancelou a deslocação à cidade norte-americana de Nova Iorque, onde seria homenageado pela Câmara Brasileira-Americana de Comércio como personalidade do ano.

O cancelamento da participação no evento foi justificado, em comunicado da presidência do Brasil, pela "ideologização da atividade": "Face à resistência e ataques deliberados do prefeito de Nova Iorque e da pressão de grupos de interesses sobre as instituições que organizam, patrocinam e acolhem nas suas instalações o evento anualmente, ficou caracterizada a ideologização da atividade. Em função disso, e consultados vários setores do Governo, o Presidente Bolsonaro decidiu pelo cancelamento da ida a essa cerimónia e da agenda prevista para Miami", adianta o comunicado, assinado pelo porta-voz da presidência, Otávio Rêgo Barros.

Várias empresas desistiram de patrocinar a cerimónia de homenagem a Bolsonaro, cujo cancelamento já tinha sido exigido por milhares de pessoas nas redes sociais. Na sexta-feira, a companhia aérea norte-americana Delta, o jornal britânico Financial Times e a consultora Bain&Company confirmaram à AFP que deixaram de patrocinar o jantar.

O jantar de gala, organizado pela Câmara Brasileira-Americana de Comércio estava marcado para o próximo dia 14, tendo sido originalmente programado para o Museu de História Natural de Nova Iorque, antes de a instituição, sob pressão da opinião pública, ter desistido de receber o evento.

Posteriormente, foi anunciado que este passaria para o hotel Marriott Marquis, no bairro da Times Square, mas vários manifestantes passaram a reunir-se todas as noites em frente ao edifício, em protesto.

Uma petição lançada pelo senador democrata do Estado de Nova Iorque, Brad Hoylman, para tentar que também este hotel se recusasse a acolher a cerimónia, reuniu mais de 53 mil assinaturas na sexta-feira. "Ao sediar este evento, o Marriott dá a Bolsonaro uma plataforma que recompensa o seu comportamento escandaloso", refere o texto da petição, citando as declarações homofóbicas, racistas e misóginas do chefe de Estado brasileiro.

Anualmente, a Câmara Brasileira-Americana de Comércio atribui um prémio a uma personalidade brasileira e a uma americana, num jantar de gala. O evento encontrava-se já esgotado, apesar da entrada no jantar custar 30 mil dólares (cerca de 27 mil euros).

Esta seria a segunda viagem de Bolsonaro aos Estados Unidos desde que assumiu a Presidência da República. Em março, o chefe de Estado brasileiro esteve em Washington, capital do país, para se reunir com o Presidente norte-americano, Donald Trump.

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