Boicote da Pfizer põe em causa futuro da injeção letal

Farmacêutica americana proibiu uso dos seus produtos para execuções de condenados à morte. Junta-se assim a 20 outras empresas

A injeção letal é a forma mais comum de execução nos Estados Unidos. Mas o caso de Clayton Lockett - um condenado no Oklahoma que demorou 43 minutos a morrer depois de ter sido injetado com uma mistura de drogas não testada - veio gerar contestação a este método. Agora, a Pfizer proibiu o uso dos seus produtos em execuções, lembrando que o seu objetivo é salvar a vida a doentes e não tirar vidas. A decisão da farmacêutica americana acaba assim com uma das últimas fontes de drogas usadas para fabricar as injeções letais nos EUA.

Composta por um conjunto de drogas que põem o condenado a dormir antes de o impedir de respirar, provocando um ataque cardíaco, a injeção letal era até há uns anos vista como o método mais "humano" para executar condenados à morte nos EUA. Mas uma série de falhas e a reticência cada vez maior das farmacêuticas de verem os seus produtos associados à pena de morte vieram mudar as coisas. Mesmo assim, todas as 28 execuções de 2015 (um número bastante mais baixo do que em anos anteriores) foram por injeção letal.

"A Pfizer fabrica produtos para melhorar e salvar as vidas dos pacientes que servimos. A empresa opõe-se fortemente ao uso dos seus produtos para injeção letal em penas capitais", escrevia a gigante farmacêutica em comunicado.

A Pfizer fabrica produtos para melhorar e salvar as vidas dos pacientes que servimos

Pressionadas pelos grupos de defesa dos direitos humanos, 20 empresas do sector, americanas e europeias, proibiram o uso dos seus produtos na injeção letal. E em 2011, a União Europeia proibiu a exportação destas drogas para os EUA. Com a Pfizer a juntar-se ao grupo, os estados que ainda aplicam a pena de morte (32 dos 50 estados americanos, segundo o Centro de Informação da Pena de Morte) vão ver-se obrigados a procurar "no mercado negro se quiser obter as drogas usadas na injeção letal", explicava ao New York Times Maya Foa, da ONG britânica Reprieve.

Pelotão de fuzilamento

Enquanto procuram alternativas, alguns estados, como Arizona, Oklahoma e Ohio, já adiaram execuções durante meses. Outros procuraram métodos alternativos como a cadeira elétrica, as câmaras de gás ou pelotões de fuzilamento. Estes últimos, ainda usados no Oklahoma como segundo método, voltaram a se permitidos no Utah em 2015, caso a injeção letal não esteja disponível. "A partida do momento em que temos pena de morte, precisamos de ter uma forma de realizar as execuções", garantia na altura o congressista Paul Ray, em defesa do recurso ao pelotão de fuzilamento.

A partida do momento em que temos pena de morte, precisamos de ter uma forma de realizar as execuções

Para garantir que os seus produtos não são usados em execuções, a Pfizer restringiu a venda de sete drogas que podem ter esse fim a compradores que garantam não as revender a instituições prisionais. Neste momento, a maioria dos estados que pratica a pena de morte não divulga as fontes que lhe fornecem as drogas para fabricar a injeção letal.

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