Birmânia faz proposta para a repatriação dos rohingyas que estão no Bangladesh

Mais de meio milhão de rohingyas refugiaram-se no Bangladesh para escapar da repressão do exército birmanês após ataques de rebeldes rohingyas

A Birmânia (Myanmar) fez propostas para a repatriação de centenas de milhares de rohingyas que chegaram esta semana ao Bangladesh, disse esta segunda-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros bengali, após conversações com o Governo birmanês.

"As discussões ocorreram numa atmosfera amigável e a Birmânia propôs receber os refugiados rohingyas", disse à imprensa o ministro Mahmood Ali.

Desde agosto, mais de meio milhão de rohingyas procuraram refúgio no Bangladesh para escapar da repressão do exército birmanês após ataques de rebeldes rohingyas.

"As partes aceitaram uma proposta para criar um grupo de trabalho conjunto para coordenar o processo de repatriação", disse Mahmood Ali, que não forneceu datas para o início do processo.

Na quinta-feira, a Birmânia tinha afirmado que estava pronta para iniciar o processo de verificação. Entretanto, no terreno, muitos duvidam que haja um retorno a curto prazo, sendo que ainda continua o êxodo para o Bangladesh.

Nos imensos campos na fronteira, as autoridades e as organizações não-governamentais (ONG) estão sobrecarregadas com o fluxo de pessoas e preocupam-se com os riscos sanitários.

As atuais condições podem conduzir ao surgimento de surtos de cólera e outras doenças.

A situação foi qualificada de "caos humanitário" pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, durante uma reunião do Conselho de Segurança.

Os rohingyas, a maior população apátrida do mundo, são tratados como estrangeiros na Birmânia, um país com mais de 90% de budistas. Vítimas de discriminação, não podem viajar nem casar sem autorização, não têm acesso nem ao mercado de trabalho nem aos serviços públicos, como escolas e hospitais.

A ONU considera que o exército birmanês e as milícias budistas estão a realizar uma limpeza étnica contra esta comunidade muçulmana do estado de Rakhine, uma região historicamente conturbada.

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

A angústia de um espanhol no momento do referendo

Fernando Rosales, vou começar a inventá-lo, nasceu em Saucelle, numa margem do rio Douro. Se fosse na outra, seria português. Assim, é espanhol. Prossigo a invenção, verdadeira: era garoto, os seus pais levaram-no de férias a Barcelona. Foram ver um parque. Logo ficou com um daqueles nomes que se transformam no trenó Rosebud das nossas vidas: Parque Güell. Na verdade, saberia só mais tarde, era Barcelona, toda ela.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Dos pobres também reza a história

Já era tempo de a humanidade começar a atuar sem ideias preconcebidas sobre como erradicar a pobreza. A atribuição do Prémio Nobel da Economia esta semana a Esther Duflo, ao seu marido Abhijit Vinaayak Banerjee e a Michael Kremer, pela sua abordagem para reduzir a pobreza global, parece indicar que estamos finalmente nesse caminho. Logo à partida, esta escolha reforça a noção de que a pobreza é mesmo um problema global e que deve ser assumido como tal. Em seguida, ilustra a validade do experimentalismo na abordagem que se quer cada vez mais científica às questões económico-sociais. Por último, pela análise que os laureados têm feito de questões específicas e precisas, temos a demonstração da importância das políticas económico-financeiras orientadas para as pessoas.

Premium

Marisa Matias

A invasão ainda não acabou

Há uma semana fomos confrontados com a invasão de territórios curdos no norte da Síria por parte de forças militares turcas. Os Estados Unidos retiraram as suas tropas, na sequência da inenarrável declaração de Trump sobre a falta de apoio dos curdos na Normandia, e as populações de Rojava viram-se, uma vez mais, sob ataque. As tentativas sucessivas de genocídio e de eliminação cultural do povo curdo por parte da Turquia não é, infelizmente, uma novidade, mas não é por repetir-se que se deve naturalizar e abandonar as nossas preocupações.