Bernie vence, mas só os superdelegados ainda lhe poderiam dar a nomeação

Senador do Vermont bateu Hillary Clinton nas primárias da Virgínia Ocidental, obrigando a primeira-dama a gastar energias e dinheiro na corrida democrata em vez de se concentrar em Trump.

"Vamos lutar até ao último voto, reafirmou Bernie Sanders depois de mais uma vitória frente a Hillary Clinton na corrida democrata para as presidenciais americanas de 8 de novembro. Nas primárias de terça-feira na Virgínia Ocidental - o estado com a mais alta taxa de desemprego dos EUA -, o senador do Vermont conseguiu 51,4% dos votos, contra 35,8% para a ex-primeira-dama. Um resultado que lhe garante 18 delegados (Hillary ficou com 11), mas que sobretudo o mantém na corrida, obrigando a rival a concentrar-se na luta pela nomeação democrata em vez de se focar em Donald Trump, o presumível nomeado republicano após ter ficado sem rivais.

Mas a verdade é que esta maré vencedora de Sanders, que deve continuar no dia 17 no Oregon, lhe dá argumentos para continuar a disputar a nomeação a Hillary, dificilmente fará dele o candidato em novembro. Porquê? Porque a diferença de delegados entre Hillary e Sanders é demasiado grande - ela tem 2240 e ele 1473 dos 2383 necessários para garantir a nomeação na convenção de 25 a 28 de julho em Filadélfia. Ou seja, numa corrida em que todas as primárias são proporcionais, Sanders teria de ganhar as próximas votações com mais de 90% dos votos para tirar a nomeação a Hillary. A outra alternativa seria convencer os superdelegados a apoiá-lo.

Dos 2240 delegados de Hillary, 524 são "super" - ou seja, congressistas, senadores ou governadores do partido cujo voto na convenção não está vinculado à vontade popular. E destes, Bernie só conseguiu o apoio de 40. Parece portanto difícil que o senador, um veterano de 74 anos, autodenominado "socialista democrático" e que conquistou os jovens e a classe média com o seu discurso antissistema, consiga convencer os responsáveis do partido. Estes preferem apostar na experiência de Hillary do que num discurso revolucionário como o de Sanders.

Apesar disso, o senador do Vermont mostrou-se confiante na vitória. Na terça-feira à noite, Sanders garantiu manter o objetivo de ser o nomeado do partido. E disse ainda que apesar de estar em desacordo com Clinton em "muitas áreas", numa coisa estão unidos: "Temos de derrotar Donald Trump e alegra-me dizer-vos que o conseguiremos", afirmou. "Em todas as sondagens nacionais, Bernie Sanders vence Donald Trump por muita margem", sublinhou.

Mandato para ser populista

Já sem rivais republicanos, Donald Trump tem agora um problema talvez ainda maior: unir o partido. Para tentar chegar a um consenso com o aparelho republicano, muito reticente em apoiar a sua candidatura, o milionário tem hoje encontro marcado com o presidente da Câmara dos Representantes, Paul Ryan. Visto como o republicano mais poderoso dos EUA, Ryan já disse não estar preparado para apoiar Trump em novembro.

As dúvidas da liderança do partido não parecem, no entanto, abalar Trump. Depois de ter garantido que não precisa de um partido "unido" para vencer em novembro, o ex-apresentador do reality show The Apprentice veio ontem garantir que a votação popular que tem conseguido lhe dá "um mandato" para se apresentar como um outsider populista sem medo das palavras em vez de adotar uma atitude mais inclusiva.

E olhando para as sondagens a nível nacional - que valem o que valem num país onde o presidente é escolhido pelo Colégio Eleitoral e ganhar a maioria do voto popular pode não garantir a Casa Branca, como Al Gore verificou em 2000 -, a estratégia arriscada de Trump parece estar a dar frutos. O último estudo do instituto Ipsos para a Reuters dá conta de um duelo renhido entre Hillary e Trump em novembro: com 41% de intenções de voto para a candidata democrata e 40% para o republicano. Isto quando há uma semana a ex-primeira-dama ainda tinha uma vantagem de 13 pontos percentuais em relação ao milionário.

A última sondagem Ipsos/Reuters, realizada junto de 1289 pessoas entre os dias 6 e 10 de maio, dá ainda conta de 19% de indecisos. Mas reflete sobretudo o aumento do apoio a Donald Trump depois de Ted Cruz e John Kasich terem saído da corrida republicana. O senador do Texas e o governador do Ohio eram os últimos de um conjunto de candidatos republicanos que chegou a ter 17 nomes.

Anúncios milionários

Nos próximos meses, sobretudo passadas as convenções, as opiniões dos americanos ainda deverão mudar bastante. Até porque vão ser bombardeados com anúncios de campanha nos quais os candidatos irão gastar largas centenas de milhões de dólares.

Fundamental será a escolha do vice-presidente. Enquanto os candidatos já estão a trabalhar no nome para se juntar ao respetivo ticket, os inquiridos pela sondagem Reuters garantiram, na maioria, estar mais dispostos a votar em Hillary se esta escolher um vice liberal e mais dispostos a votar em Trump se este escolher alguém com experiência política e posições conservadoras.

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