Barril de crude pode subir dez dólares após ataque a refinaria saudita

Ataque de drones cortou para metade a produção de petróleo na Arábia Saudita, representando uma perda de 5,7 milhões de barris por dia, 5% da oferta global de diária de petróleo. Especialistas dizem que preços devem subir dez dólares num só dia.

A Arábia Saudita cortou a produção de petróleo e gás em 5,7 milhões de barris por dia, anunciou o ministro da Energia, o príncipe Abdulaziz bin Salman, após o ataque com drones a duas refinarias da petrolífera estatal Aramco. Isso representa cerca de metade da capacidade de produção do país e, segundo os especialistas, poderá levar ao aumento do preço do barril em dez dólares quando os mercados abrirem, na segunda-feira.

Na sexta-feira, em Londres, o preço do barril de Brent fechou nos 60,23 dólares.

"Temendo o pior, acho que os mercados vão abrir a subir 5 ou 10 dólares por barril", disse o presidente da Lipow Oil Associates, Andrew Lipow, à estação de televisão CNBC.

"O preço vai subir, isso é verdade, mas os sauditas e os norte-americanos têm um dia para interfir até lá", disse à Reuters Sandy Fielden, analista na Morningstar.

"Os preços vão subir após este ataque e se a perturbação na produção saudita for prolongada, uma libertação da Reserva Estratégica de Petróleo dos membros da Agência Internacional de Energias parece provável e sensata", indicou Jason Bordoff, fundador e diretor do Centro de Política Global de Energia, na Universidade Columbia, em Nova Iorque.

As autoridades sauditas garantem contudo que os níveis de produção estarão de volta ao normal na segunda-feira, procurando acalmar os mercados.

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, acusou o Irão de estar por detrás dos ataques, dizendo não haver provas de que os drones vieram do Iémen. "Teerão está por detrás de quase 100 ataques à Arábia Saudita enquanto o Rouhani e o Zarif pretendem fazer diplomacia. Entre todos os apelos ao fim da tensão, o Irão lançou agora um ataque sem precedentes ao fornecimento de energia mundial. Não há prova de que os ataques tenham vindo do Iémen", escreveu no Twitter.

"Apelamos a todos os países para publica e inequivocamente condenarem os ataques do Irão. Os EUA vão trabalhar com os nossos parceiros e aliados para garantir que o mercado de energia continua bem abastecido e que o Irão é responsabilizado pela sua agressão", acrescentou.

Os rebeldes houthis no Iémen, que são apoiados pelo Irão, assumiram a responsabilidades pelo ataque com drones.

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