Avalanche soterra hotel em Itália. Duas pessoas a salvo. "Perdi tudo"

"Ajuda, ajuda, estamos a morrer de frio", escreveu por SMS uma das pessoas atingidas pela avalanche para a equipa de socorro

Várias pessoas terão morrido num hotel italiano na sequência de uma avalanche, após a série de sismos que afetou o país nas últimas 24 horas. Cerca de 30 pessoas estariam no hotel quando o acidente aconteceu, segundo as autoridades italianas.

"Foram encontrados muitos mortos", declarou um dos elementos da equipa de socorro à agência de notícia italiana Ansa, sobre o que passou no Hotel Rigopiano, na cidade de Farindola na zona montanhosa de Gran Sasso, a 1.300 metros de altitude, na região de Abruzzo. De acordo com a imprensa italiana, dentro do hotel estariam 22 turistas, entre os quais duas crianças, e sete funcionários.

As equipas de resgate retiraram entretanto o primeiro cadáver do interior do hotel, pelas nove e meia da manhã (menos uma hora em Portugal). Os órgãos de comunicação italianos, citando fonte das equipas de socorro, indicam que se trata de um homem e que os elementos dos grupos de resgate continuam a escavar a neve em busca de mais vítimas, em condições "muito difíceis".

As condições meteorológicas adversas, com vários nevões e mais de cinco metros de neve acumulada, dificultaram o acesso ao local.

Dois homens saíram ilesos. Estavam foram do edifício quando o acidente aconteceu. "Salvei-me porque fui ao automóvel buscar uma coisa", disse Giampiero Parete, citado pelo Corriere della Sera, preocupado com a família que estava dentro do hotel. "Perdi tudo. Ali em baixo estão a minha mulher e os meus dois filhos, Ludovica, que tem seis anos, e Gianfilippo, de oito", contou na primeira pessoa ao jornal italiano.

Equipas de resgate chegaram de esquis

A avalanche terá sido espoletada pelos quatro terramotos e várias réplicas que se fizeram sentir nesta zona na quarta-feira, de acordo com um membro da equipa de salvamento.

O teto do hotel colapsou parcialmente e as autoridades foram alertadas pela população de Farindola, mas uma tempestade de neve e estradas cortadas tornaram difícil o acesso ao hotel Rigopiano.

As equipas de resgate lutaram durante a noite para conseguir chegar ao hotel na zona montanhosa do Gran Sasso, de acordo com a BBC, e os primeiros elementos da Proteção Civil italiana só chegaram de esquis às 04.00 da manhã (03.00, em Portugal continental).

O jornal La Repubblica diz ainda que ontem a direção do hotel havia informado os hóspedes que as linhas telefónicas estavam cortadas por causa das condições atmosféricas e que os contactos deviam ser feitos por via eletrónica. "Ajuda, ajuda, estamos a morrer de frio", escreveu por SMS uma das pessoas atingidas pela avalanche para a equipa de socorro da Proteção Civil.

Segundo os primeiros testemunhos das equipas de socorro, o hotel Rigopiano está completamente soterrado na neve, parcialmente derrubado e são visíveis algumas luzes no interior, mas não se ouvem pessoas a pedir ajuda.

Juncker disponibiliza ajuda

O presidente da Comissão Europeia disse hoje que a União Europeia está pronta para mobilizar todos os meios ao seu dispor para ajudar Itália na sequência da avalanche que provocou vários mortos numa estância de esqui.

"Em nome de toda a Comissão Europeia, reitero a nossa solidariedade para com o povo e as autoridades italianas. Faremos tudo o que pudermos para ajudar neste momento difícil. A UE não deixará a Itália enfrentar sozinha esta tragédia", afirmou Jean-Claude Juncker, numa mensagem divulgada em Bruxelas.

Afirmando que "a UE está pronta a mobilizar todos os instrumentos ao seu dispor", Juncker anunciou que já pediu ao comissário responsável pela Ajuda Humanitária e Gestão de Crises, Christos Stylianides, "para estar em permanente contacto com as autoridades nacionais, para mobilizar qualquer apoio que seja solicitado".

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