"Um braço de distância". Autarca causa indignação após ataques a mulheres

Henriette Reker recomendou às mulheres que fiquem a um braço de distância de estranhos. Autoridades já anunciaram que três suspeitos foram identificados

Abalada com os ataques sexuais a uma centena de mulheres que se verificaram na noite de passagem de ano em Colónia, a Alemanha indigna-se agora com as declarações da autarca daquela cidade, que propôs um código de conduta às mulheres para que situações como aquelas não se repitam.

Henriette Reker teve uma reunião de emergência com a polícia na terça-feira para discutir a melhor forma de prevenir ataques como o da noite de fim de ano, depois da qual defendeu que as mulheres devem manter a distância de um braço em relação a estranhos, manter-se junto do seu grupo e, em caso de emergência, pedir a transeuntes ajuda ou para serem testemunhas.

A ideia da existência de um código de conduta como este, que está ainda a ser desenhado e deverá ser publicado nos próximos dias, provocou uma onda de indignação. Muitos entenderam as declarações da presidente de Colónia como um atestado de culpa para as vítimas.

Henriette Reker também considerou que os visitantes de outras culturas também devem ser educados acerca de qual a conduta aceitável e defendeu que é "completamente impróprio relacionar um grupo que parece ter vindo do norte de África com refugiados".

Alguns responsáveis políticos estão a usar os ataques para questionar a política de acolhimento de refugiados da chanceler alemã, Angela Merkel. A Alemanha terá recebido em 2015 mais de um milhão de refugiados, sendo os sírios, albaneses e kosovares aqueles que mais pediram asilo.

Ontem à noite, cerca de 150 pessoas manifestaram-se em frente à catedral de Colónia em protesto contra a violência sobre as mulheres.

Perto de uma centena de vítimas femininas apresentaram queixa, indicando todas terem sido alvo de roubos e apalpões por grupos de homens jovens, frequentemente embriagados e que pareciam atuar de forma organizada. O governo referiu que até cerca de um milhar de pessoas estão implicadas direta ou indiretamente nos ataques.

Ao fim da manhã de hoje o ministro do interior do estado da Renânia do Norte Vestefália, Ralf Jäger, anunciou que três suspeitos foram identificados.

A alegada inação da polícia tem sido muito criticada, até pelo governo alemão, uma vez que a praça onde ocorreram os ataques tinha sido evacuada horas antes do ataque devido ao perigo do fogo de artifício.

A 1 de janeiro, a polícia emitiu um comunicado no qual sublinhava que a noite decorrera sem incidentes.

"Não é possível que a praça tenha sido evacuada e que em seguida se tenham verificado" as agressões, no mesmo local, e que a polícia "espera as queixas" das vítimas para reagir, lamentou o ministro do Interior alemão, Thomas De Maizière. "Exijo urgentes esclarecimentos", sublinhou.

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