Austrália já fala na Grande Depressão. Filas enormes nos centros de emprego

O primeiro-ministro Scott Morrison alerta que a crise económica pode ser semelhante à Grande Depressão dos anos 1930. Mesmo em quarentena, os desempregados fazem fila nos centros de emprego e de apoio estatal.

Apesar das medidas de quarentena, os australianos desempregados estão a "invadir" os centros de emprego por todo o país, numa altura em que o primeiro-ministro Scott Morrison alertou que a pandemia de coronavírus pode causar uma crise económica semelhante à Grande Depressão.

Após 29 anos de crescimento económico recorde, a Austrália está prestes a entrar em recessão, com o surto mundial a causar danos de vulto na economia do país, apesar de um pacote de alívio do governo de 189 mil milhões de dólares australianos (100 mil milhões de euros).

Em cenas que não eram vistas na Austrália há décadas, as filas estendiam-se longamente esta segunda-feira nos centros estatais de apoio social e de emprego de todo o país, quando o encerramento forçado de bares, casinos, igrejas e outros estabelecimentos teve início ao meio-dia desta segunda-feira.

Um portal online de serviços do governo também esteve em baixo quando os candidatos a fundos estatais começaram a tentar fazer o registo para receber subsídios de apoio, que foram temporariamente aumentados para o dobro por quinzena para ajudar as pessoas a lidar com a crise do coronavírus.

Com centenas de milhares de empregos em risco, Morrison disse aos australianos que enfrentam uma crise económica "do tipo que não vemos desde a Grande Depressão", referindo-se ao colapso financeiro global no final das décadas de 1920 e 1930.

"Perderam-se muitos empregos, e sabemos que muitos mais irão pelo mesmo caminho. Este é o maior choque económico que o nosso país enfrenta em gerações", disse o governante no Parlamento.

A Services Australia, que opera os centros de assistência social conhecidos como Centrelink, instou as pessoas a não visitarem os seus locais físicos, a menos que haja uma "necessidade crítica" de fazê-lo.

Depois do site do governo ter caído devido ao tráfego, o ministro Stuart Robert afirmou inicialmente que um aumento na procura tinha sido agravado por hackers que tentaram um ataque. Mas não era o caso. Mais tarde, Robert disse ao Parlamento que o alarme tinha sido acionado por causa das quase 100.000 pessoas que tentaram o acesso ao site em simultâneo.

Antes de fechar serviços não essenciais, a Austrália já tinha encerrado as fronteiras a chegadas internacionais, enquanto algumas fronteiras interestaduais foram também fechadas e todas as viagens não essenciais foram proibidas.

Scott Morrison alertou que as medidas permanecerão em vigor em todo o país durante seis meses, com regras mais rígidas a serem impostas num esforço para conter a disseminação do coronavírus. Alertou que este cenário único em 100 anos significava que 2020 será "o ano mais difícil de nossas vidas".

O índice de referência australiano ASX 200 perdeu 38% devido ao medo de coronavírus desde o seu pico em meados de fevereiro, caindo esta segunda-feira para mínimos nunca vistos desde novembro de 2012.

Sete pessoas morreram da doença na Austrália, que tem uma taxa de letalidade de apenas 0,44% em comparação com outras de 4% em países como Estados Unidos, Grã-Bretanha e França.

O país registou mais de 1.600 casos de covid-19, com as taxas de infeção a acelerar nos estados mais populosos.

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