Um veículo armadilhado explodiu ontem em Istambul à passagem de um autocarro que transportava elementos de uma unidade especial das forças de segurança, provocando a morte de sete polícias e de quatro civis, além de ferimentos em 36 outras pessoas. Este foi o terceiro ataque terrorista na cidade em 2016 e o segundo mais mortífero. Um atentado suicida em março, atribuído ao Estado Islâmico (EI), provocou quatro mortos..O atentado, que sucedeu às 08.35 (hora local) perto do centro histórico, apresenta as características das operações realizadas pelos separatistas curdos e sucede num momento em que o poder político e, nomeadamente, o presidente Recep Tayyip Erdogan, se confrontam com múltiplas situações de crise..Após uma visita aos feridos no ataque, Erdogan garantiu que o combate "continuará de forma incansável" contra o terrorismo..[artigo:5084136].No plano militar, o envolvimento turco na guerra civil na Síria já provocou uma séria crise com a Rússia, devido ao abate de um Su-24M em novembro de 2015. Ainda em relação com o conflito sírio, as operações de Ancara contra o EI vieram criar um elemento acrescido de instabilidade interna, a somar ao retomar dos combates entre as forças armadas turcas e a guerrilha separatista curda. Após um longo período de confronto armado entre o final dos anos 70 e 2012, Ancara e o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, principal organização independentista) iniciaram negociações de paz suspensas quando o governo turco passou a temer a possibilidade daqueles, em conjunto com os curdos iraquianos e sírios, avançarem para a criação de uma entidade política autónoma. Os combates foram retomadas em 2014 e, desde então, não cessaram, multiplicando o PKK as ações contra as forças armadas e polícia com recurso a ataques como o de ontem..A presente conjuntura tem causado um impacto negativo no setor do turismo, uma das principais fontes de receitas no país. Logo após o ataque de ontem, os governos de Berlim e Londres emitiram avisos aconselhando "precaução" aos seus nacionais de visita à Turquia..O estado de espírito dos investidores está igualmente a ser afetado, como explicava ontem à Reuters um dos responsáveis de uma empresa a operar no mercado de capitais. "As fusões e aquisições quer da parte de investidores estratégicos quer de fundos privados têm sido muito baixas este ano", disse Mehmet Sami, da firma Pretium..O conflito na Síria originou ainda uma crise humanitária de proporções inéditas desde a II Guerra Mundial, com um movimento em massa de refugiados para a União Europeia (UE). Numa tentativa de travar o processo, a UE e Ancara assinaram em março um acordo a prever a readmissão na Turquia de refugiados que tentem chegar à Grécia em troca da abolição de vistos para a entrada de turcos na UE. Um acordo que está em risco, com Bruxelas a insistir que Ancara restrinja o âmbito de aplicação de leis antiterroristas consideradas muito genéricas, o que o presidente Erdogan se recusa a fazer. E ainda ontem, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Mevlut Cavusoglu, deixava no ar a ameaça de suspender o acordo assinado em março se não for obtida a concessão de vistos..[artigo:5115010]