Assange detido após sete anos na embaixada do Equador em Londres

Fundador da WikiLeaks foi detido na embaixada, anunciou a polícia britânica, depois de o Equador ter retirado o asilo político. Veja o vídeo do momento em que Assange é retirado do edifício. EUA pediram a sua extradição.

A polícia britânica anunciou a detenção, esta quinta-feira, do fundador da WikiLeaks, Julian Assange, na embaixada do Equador em Londres.

Assange estava refugiado na embaixada há sete anos, tendo-lhe sido concedido asilo político em 2012.

A detenção surge ao abrigo de um mandado de captura emitido em 29 de junho de 2012, depois de o australiano não ter aparecido em tribunal e ter desrespeitado as medidas de coação que lhe tinham sido aplicadas. Assange será presente aos juízes assim que possível, segundo o comunicado da Scotland Yard.

O advogado de Julian Assange, citado pela agência AP, revelou que existe igualmente um pedido de extradição das autoridades norte-americanas. Uma informação confirmada num novo comunicado da Scotland Yard: "Julian Assange foi ainda detido a pedido das autoridades dos EUA às 10.53, depois da sua chegada a uma esquadra da polícia no centro de Londres"; com a indicação de que há um pedido de extradição ao abrigo da secção 73.

O site da estação de televisão Russia Today, onde Assange tem um programa de entrevistas, publicou um vídeo do momento em que o fundador da WikiLeaks é arrastado para fora da embaixada pelos agentes britânicos.

Os agentes "foram convidados a entrar na embaixada pelo embaixador, depois de o governo equatoriano ter retirado o asilo político" ao fundador da WikiLeaks, de acordo com o comunicado.

O presidente equatoriano, Lenin Moreno, confirmou no Twitter ter retirado o asilo diplomático a Assange por "violar reiteradamente as convenções internacionais e o protocolo de convivência".

No vídeo, Moreno diz que pediu ao Reino Unido a garantia de que Assange não será extraditado para um país onde possa ser torturado ou condenado a pena de morte. "O governo britânico confirmou-o por escrito, de acordo com as suas próprias regras", indicou.

A WikiLeaks acusa contudo o Equador de "terminar ilegalmente o asilo político de Assange violando as leis internacionais". Na quarta-feira, a organização tinha ainda denunciado o facto de o seu fundador estar a ser alvo de vigilância constante dentro da embaixada.

O ministro do Interior britânico, Sajid Javid, confirmou também a detenção de Assange, agradecendo a cooperação do Equador e o profissionalismo da polícia britânica. "Ninguém está acima da lei", escreveu no Twitter.

Assange, de 47 anos, refugiou-se na Embaixada do Equador a 19 de junho de 2012, temendo ser deportado para a Suécia, onde enfrentava um processo de violação e agressão sexual, e, a partir desse país, ser entregue às autoridades norte-americanas, que investigavam a WikiLeaks. Nos EUA - onde oficialmente não há nenhuma acusação contra o fundador da WikiLeaks - este alegava poder enfrentar a pena de morte. Na Suécia, as acusações contra Assange já foram retiradas.

O ativista australiano fundou em 2006 a WikiLeaks, uma organização especializada na análise e publicação de informações secretas sobre guerra, espionagem e corrupção. Desde então, já divulgaram milhões de documentos. Saltaram para a ribalta em 2010, após a revelação de um vídeo de um bombardeamento norte-americano no Iraque, no qual morreram vários civis, ao qual se seguiu a divulgação dos diários do Afeganistão e do Iraque e da correspondência diplomática dos EUA.

Assange está nomeado para o prémio anual para "Jornalistas, denunciantes e defensores do direito à informação", cujo vencedor será anunciado no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, a 16 de abril. O hacker Rui Pinto, denunciante da Football Leaks, é outro dos nomeados.

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