Assad acusa 80 países de apoiarem os terroristas no seu país

Presidente sírio deu entrevista ao jornal espanhol El País.

O presidente sírio, Bashar al-Assad, afirmou numa entrevista ao jornal espanhol El País que "há 80 países que apoiam com diferentes meios os terroristas na Síria" e que o apoio russo e iraniano tem sido essencial no combate aos insurgentes.

"Alguns (apoiam) diretamente com dinheiro, apoio logístico, armamento ou combatentes. E outros países ofereceram apoio político em vários fóruns internacionais", afirmou Assad ao jornal espanhol.

O presidente sírio falou expressamente do apoio da Arábia Saudita no incentivo e envio de jihadistas estrangeiros para a Síria, calculando que haja no país 35 000 desses elementos, entre estes, 4000 provenientes da Europa.

"A Síria é um país pequeno e podemos lutar, mas em última análise, existe um apoio incondicional a esses terroristas e é óbvio que nesta situação é a necessidade de apoio internacional", sublinhou Assad, que se tornou Presidente da Síria em 2000, depois da morte do seu antecessor, o seu pai, Hafez al-Assad, que governou o país por 30 anos.

Na entrevista, o Presidente declarou que quer "um Governo de unidade nacional com todas as correntes".

"Sem dúvida, o apoio russo e iraniano (os grandes aliados de Assad) tem sido essencial para nosso exército para alcançar esse avanço (no terreno, nas cidades de Raqqa e Aleppo). Mas dizer que não teria sido capaz de alcançar essas realizações é uma pergunta hipotética. Quero dizer qualquer um pode ter uma certa resposta", avaliou.

Para Assad "não existe provas de que os russos tenham atacado alvos civis", acrescentando que "são os norte-americanos que assassinaram numerosos civis no norte da Síria".

O presidente disse que os refugiados sírios fogem terroristas e não do Governo e esses têm o direito de regressar ao seu país.

"Tenho certeza que a maioria deles querem voltar para a Síria", afirmou.

"As guerras são más. Sempre haverá civis que pagam o preço", acrescentou.

Deter o fluxo de refugiados para a Europa, "não depende unicamente da Síria, mas também do resto do mundo", segundo o presidente, disse, referindo ainda que entre outros fatores, "a Europa deve levantar o embargo imposto ao povo sírio".

Sobre o cessar-fogo na Síria estabelecido pelos Estados Unidos e Rússia, Assad disse que desde logo esteve disposto a apoiar essa iniciativa.

"Além disso, anunciaram que estão prontos para isso, mas a questão não depende unicamente de um anúncio. Depende do que você vai fazer no terreno. Agora, eu penso que o conceito de cessar-fogo não é correto, porque o cessar-fogo tem lugar entre dois exércitos e dois países que se enfrentaram.

Referiu que, mesmo com um cessar-fogo, haverá combates a grupos terroristas como o Estado Islâmico (ISIS) ou a Al-Nusra e outras organizações afiliadas à Al-Qaida. A Síria e a Rússia já anunciaram quatro nomes: Ahrar al-Sham e Jeish el-Islam (Exército do Islão), além da Frente Al-Nusra e o ISIS.

Em quase cinco anos de conflito na Síria, segundo a ONU, pelo menos 260 mil pessoas morreram e cinco milhões de sírios procuraram refúgio no estrangeiro. O conflito envolve não só grupos jihadistas, mas também opositores contra o regime de Assad que são apoiados pela comunidade internacional.

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