Do medium à tatuagem de Manuela: 10 maiores fake news da campanha no Brasil

Os boatos entraram ontem na agenda da campanha com Haddad a acusar o campo de Bolsonaro de "publicar notícias falsas estapafúrdias" a seu respeito. Eis uma lista das já difundidas

Os principais órgãos de comunicação social do Brasil concordaram em criar espaços próprios para avaliar a veracidade de notícias colocadas a circular nas redes sociais e em aplicativos de mensagens ao longo da campanha eleitoral, como o "Fato ou Fake", do portal G1, o "Estadão Verifica", do jornal O Estado de S. Paulo, entre outros. Mesmo assim, a capacidade de criar e disseminar boatos, sobretudo em grupos de whatsapp ligados ao candidato Jair Bolsonaro (PSL), vem se mostrando imparável.

Fernando Haddad, do PT, acusou hoje mesmo Bolsonaro de espalhar "fake news vulgares e boatos estapafúrdios".

A quantidade de boatos é tanta, que o blogue "Estadão Verifica", só nas últimas horas, foi obrigado a explicar que "os votos não serão invalidados se o eleitor votar só no candidato a presidente e esquecer os restantes", que "o vídeo em que Lula da Silva fala da ideologia do PT foi editado e deturpado", que "a mulher que acusa os institutos de sondagens Ibope e Datafolha nunca foi funcionária das duas empresas", que o "apresentador Ratinho não vai entrevistar Bolsonaro à hora do debate entre os demais candidatos", que "não há provas de que os seguranças de Haddad sejam militares cubanos" e muito mais.

O difícil é escolher as fake news de maior repercussão ao longo da campanha. Aqui fica o exemplo de 10.

1- APRESENTADORA DE TV FEZ OBRAS NA CASA DO HOMEM DA FACA

Fátima Bernardes, uma das principais apresentadoras da TV Globo, foi acusada de ter pago a reforma da casa de Adélio Bispo, o homem que esfaqueou Jair Bolsonaro. O ataque a Fátima Bernardes, que durante anos apresentou ao lado do hoje ex-marido, William Bonner, o principal espaço informativo da televisão brasileira, o Jornal Nacional, explica-se porque o seu atual namorado é militante do PDT, o partido de centro-esquerda do candidato Ciro Gomes. Ela publicou vídeo a desmentir.

2 - "CABE AO ESTADO DECIDIR SE A CRIANÇA É MENINO OU MENINA", DISSE HADDAD

"Ao completar cinco anos de idade, a criança passa a ser propriedade do estado, cabe a nós decidir se ela será menino ou menina, aos pais cabe acatar". A frase, colocada entre aspas no que parece ser uma página de jornal, é atribuída a Fernando Haddad. E, obviamente, é falsa. No entanto, foi partilhada à exaustão na última semana.

3 - MANUELA, A TATUAGEM, A T-SHIRT E OS TELEFONEMAS

Manuela D'Ávila é um dos alvos preferidos das fake news: primeiro, circularam fotos adulteradas da candidata a vice-presidente de Haddad em que supostamente tinha o rosto de Che Guevara tatuado no peito; depois, espalhou-se o boato de que Adélio Bispo, o agressor de Bolsonaro, havia trocado telefonemas com ela no dia do ataque; e, finalmente, foi trocada a inscrição "rebele-se" na sua t-shirt por outra onde se lia "Jesus é travesti".

4 - O DIRETOR DA GLOBO DEMISSIONÁRIO

Em vídeo, o diretor de jornalismo da TV Globo Carlos Henrique Schroeder anuncia a demissão em protesto contra a telenovela "Os Dias Eram Assim", passada nos tempos da ditadura militar, porque, segundo ele, fazia dos guerrilheiros heróis e dos militares vilões. Mas Schroeder não se demitiu, não publicou vídeo nenhum e o senhor que ataca a telenovela nem é sequer parecido com o executivo da Globo.

5 - CHICO XAVIER PREVIU CHEGADA DE BOLSONARO AO PLANALTO

Nem o maior médium da história do Brasil, falecido em 2002, escapou das fake news: "Mas no fim de tudo vai aparecer um homem franco, sincero e leal que, montado em seu cavalo branco e com sua poderosa espada, dará uma nova dimensão e personalidade nos destinos do Brasil", lê-se num texto que vem acompanhado de vídeo e foi partilhado nas redes sociais dois milhões de vezes. Segundo apoiantes de Bolsonaro, é a prova da subida ao poder do capitão do exército. A Federação Espírita Brasileira, porém, nega que o texto pertença a Xavier.

6 - AS FONTES DE JOICE HASSELMANN

Joice Hasselmann, ex-jornalista da Veja, desligada da revista por acusação de plágio, vem partilhando no canal youtube vídeos supostamente noticiosos onde, por exemplo, garante que a sua antiga empregadora recebeu 600 milhões de reais (cerca de 135 milhões de euros) para escrever uma reportagem contra Bolsonaro nos últimos dias de campanha. Mesmo sem apresentar provas, a notícia propagou-se. Ela concorre ao cargo de deputada federal pelo partido de Bolsonaro.

7 - SÍLVIO SANTOS, SANDY E ROGÉRIO CENI

O popular apresentador de televisão e dono do canal SBT, a cantora romântica e o ex-guarda-redes hoje treinador foram obrigados a vir a público desmentir apoio a Bolsonaro. Textos supostamente deles viralizaram na internet.

8 - CASAMENTO HOMOSSEXUAL NA IGREJA É OBRIGATÓRIO

De acordo com mensagem fake publicada no site "Esquerda Brasil", o deputado de extrema-esquerda Jean Wyllys (PSOL), único homossexual assumido do Congresso, criou a pedido de Haddad uma lei que vai obrigar padres e pastores a realizar casamentos de pessoas do mesmo sexo em igrejas. A lei vai chamar-se "Marielle Franco", em homenagem à vereadora executada em março no Rio de Janeiro. Se os padres ou pastores se recusarem, serão presos, determina ainda a lei. Wyllys disse que "nada disso faz sentido algum" e é "absolutamente contrário" à sua atuação no Congresso.

9 - FOTO QUE É FAKE NÃO É FAKE

Na guerra de propaganda, também as fotos do Largo da Batata, em São Paulo, no dia do protesto #elenão, serviram de munição. Apoiantes de Bolsonaro acusaram a imprensa de atribuir fotos de um desfile de Carnaval no mesmo local ao evento contrário ao seu candidato. Os dois principais jornais da cidade, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo provaram que, afinal, as fotos eram da manifestação de mulheres contra o líder nas sondagens.

10 - BOLSONARO NÃO QUER OS VOTOS DOS NORDESTINOS

"Eu não preciso dos votos dos nordestinos", disse Jair Bolsonaro, desdenhando dos quase 50 milhões de eleitores da região, segundo publicações no facebook. Como é óbvio a notícia era falsa e o Tribunal Superior Eleitoral exigiu à rede social que as retirasse.

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