Annegret Kramp-Karrenbauer. A sucessora de Merkel garante que é muito mais do que "uma cópia"

Annegret Kramp-Karrenbauer foi eleita pelos delegados da CDU para suceder a Angela Merkel como líder do partido

"As pessoas consideram-me uma cópia [de Angela Merkel], apenas mais do mesmo, mas posso garantir-vos que tenho as minhas próprias opiniões, sou eu própria", garantiu Annegret Kramp-Karrenbauer.

Conhecida pelas iniciais AKK, a nova líder da CDU [União Democrata Cristã) conseguiu 51% dos votos dos 1001 delegados do partido reunidos em Hamburgo, derrotando numa segunda volta Friedrich Merz. O terceiro candidato, Jens Spahn fora eliminado logo na primeira ronda.

AKK conseguiu 517 votos, contra os 482 de Merz, atual presidente do conselho fiscal da filial germânica da empresa de gestão de ativos BlackRock. A carreira política de Merz levou um tombo em 2002. Angela Merkel, para cimentar o seu poder e em resultado de um acordo com Edmund Stoiber (foi o social-cristão quem concorreu a chanceler), tomou a Merz o cargo de líder da bancada parlamentar da CDU-CSU. Entre 2005 e 2009 foi crítico do governo da Grande Coligação, até acabar por sair da política ativa. Mas nunca deixou o partido.

Apesar de deixar a liderança da CDU, Merkel continua como chanceler. O seu mandato só termina em 2021, mas muitos analistas apostam que a chefe do governo possa passar o testemunho mais cedo.

Conhecida como mini-Merkel, AKK era a preferida da chanceler, embora esta não o tenha dito em público. Nem era preciso: foi Merkel quem indicou AKK para o cargo de secretária-geral da CDU, cargo que a própria exerceu entre 1998 e abril de 2000, quando ascendeu ao topo da hierarquia partidária.

Para se dedicar ao partido, Annegret Kramp-Karrenbauer deixou o Sarre, o estado que governava desde 2011. AKK é considerada centrista e pragmática.

Socialmente é conservadora - opõe-se ao casamento gay -, mas, por outro lado, defende a ordenação de mulheres na Igreja Católica. No campo dos direitos sociais podia ser confundida com uma militante do SPD: defende o acolhimento dos imigrantes, o salário mínimo, os direitos dos trabalhadores e tem como máxima que o desenvolvimento económico não deve deixar ninguém para trás.

AKK é casada com um engenheiro de minas que abdicou da carreira para cuidar dos três filhos do casal.

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

A angústia de um espanhol no momento do referendo

Fernando Rosales, vou começar a inventá-lo, nasceu em Saucelle, numa margem do rio Douro. Se fosse na outra, seria português. Assim, é espanhol. Prossigo a invenção, verdadeira: era garoto, os seus pais levaram-no de férias a Barcelona. Foram ver um parque. Logo ficou com um daqueles nomes que se transformam no trenó Rosebud das nossas vidas: Parque Güell. Na verdade, saberia só mais tarde, era Barcelona, toda ela.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Dos pobres também reza a história

Já era tempo de a humanidade começar a atuar sem ideias preconcebidas sobre como erradicar a pobreza. A atribuição do Prémio Nobel da Economia esta semana a Esther Duflo, ao seu marido Abhijit Vinaayak Banerjee e a Michael Kremer, pela sua abordagem para reduzir a pobreza global, parece indicar que estamos finalmente nesse caminho. Logo à partida, esta escolha reforça a noção de que a pobreza é mesmo um problema global e que deve ser assumido como tal. Em seguida, ilustra a validade do experimentalismo na abordagem que se quer cada vez mais científica às questões económico-sociais. Por último, pela análise que os laureados têm feito de questões específicas e precisas, temos a demonstração da importância das políticas económico-financeiras orientadas para as pessoas.

Premium

Marisa Matias

A invasão ainda não acabou

Há uma semana fomos confrontados com a invasão de territórios curdos no norte da Síria por parte de forças militares turcas. Os Estados Unidos retiraram as suas tropas, na sequência da inenarrável declaração de Trump sobre a falta de apoio dos curdos na Normandia, e as populações de Rojava viram-se, uma vez mais, sob ataque. As tentativas sucessivas de genocídio e de eliminação cultural do povo curdo por parte da Turquia não é, infelizmente, uma novidade, mas não é por repetir-se que se deve naturalizar e abandonar as nossas preocupações.