CNE vai abrir inquérito para avaliar conduta desviante de comissários

Comissários nacionais eleitorais representantes da UNITA e CASA-CE demarcaram-se dos resultados provisórios divulgados pela CNE, que dão vitória ao MPLA

A Comissão Nacional Eleitoral (CNE) vai instaurar um inquérito para analisar o comportamento de alguns comissários nacionais e provinciais, que nos últimos dias, têm assumido "uma conduta desviante" dos princípios reitores do órgão eleitoral.

A posição foi hoje expressa pela porta-voz da CNE, Júlia Ferreira, no final da reunião plenária que analisou entre outros assuntos essa questão.

Um grupo de comissários nacionais eleitorais representantes dos partidos UNITA e CASA-CE anunciaram um dia depois das eleições de 23 de agosto, que se demarcavam dos resultados provisórios divulgados pela CNE, que dão vitória ao MPLA.

Segundo Júlia Ferreira, a questão foi amplamente debatida no plenário de hoje, tendo sido tomada a decisão no sentido de que assim que estejam concluídas todas as etapas inerentes ao processo eleitoral seja instaurado "um inquérito para se aferir sobre estes comportamentos que foram assumidos quer por alguns comissários ao nível da CNE como também em relação a alguns comissários ao nível das comissões provinciais eleitorais".

Em conferência de imprensa, o grupo de comissários assumiu que não se reviam na comunicação da CNE, porque não teria sido feita "com base nos termos legais".

"Nenhuma comissão provincial eleitoral, de Cabinda ao Cunene, se reuniu para produzir-se os resultados que foram anunciados. Aqui estão membros que fazem parte da coordenação técnica do centro de escrutínio, igualmente eles não participaram na produção daqueles resultados", acusaram na altura aqueles comissários.

Também ao nível das províncias, alguns comissários têm assumido a mesma posição, que a CNE acusa estarem a ser instruídos pelas direções dos seus partidos.

Os resultados provisórios das eleições gerais de 23 de agosto divulgados pela CNE não são reconhecidos pela União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Convergência Ampla de Salvação de Angola - Coligação Eleitoral (CASA-CE) e pelo Partido de Renovação Social (PRS), dão vitória ao Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), com 61% dos votos e uma projeção de 150 deputados (maioria qualificada), além da eleição de João Lourenço como próximo Presidente da República.

Aquelas forças políticas concorrentes não reconhecem os resultados eleitorais provisórios, alegando que a contagem paralela que estão a realizar, com base nas atas sínteses das mesas de voto, aponta para dados diferentes.

Angola realizou a 23 de agosto as quartas eleições, às quais concorreram o MPLA, UNITA, CASA-CE, PRS, Frente Nacional para a Libertação de Angola (FNLA) e Aliança Patriótica Nacional (APN).

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