Angola. Queda do preço do petróleo agrava dificuldades a um ano das eleições

Angola tem um novo ano muito duro pela frente, durante o qual começará a usar a nova linha de financiamento da China

Crise foi uma das palavras mais ouvidas em Angola em 2015, um ano marcado pela forte quebra das receitas da exportação de petróleo e consequente falta de divisas. E 2016 não será melhor: o Orçamento do Estado prevê um défice de 5,5% do PIB, com o presidente José Eduardo dos Santos a alertar para os riscos das flutuações do preço do petróleo, do volume da produção nacional de petróleo, da evolução da taxa de câmbio ou da colocação da emissão de títulos do Tesouro em mercados internacionais.

"A crise que Angola está a atravessar é grave, mas estamos longe de uma situação de colapso económico", afirmou ao DN Paulo Gorjão, diretor do Instituto Português de Relações Internacionais e Segurança (IPRIS). "Angola terá um ano muito duro pela frente. (...) Nunca recuperará dos efeitos da queda do petróleo antes de 2017. É possível, diria até provável, que a recuperação seja mais demorada", acrescentou este especialista em países de expressão portuguesa.

Uma opinião partilhada por Alves da Rocha, economista e diretor do Departamento de Estudos Económicos da Universidade Católica de Angola. "Enquanto não for implementado um novo modelo de crescimento económico - muito mais inclusivo e muito menos desigual, mais assertivo para a agricultura, muito mais competitivo e portanto mais relacionado com a investigação e desenvolvimento e valorização do capital humano nacional - dificilmente o país reencontrará uma rota de crescimento", declarou ao DN este especialista. 2016 deverá marcar também um aumento da dependência da China, uma vez que Angola começará a usar a nova linha de financiamento disponibilizada pelo regime de Pequim, no valor de seis mil milhões de dólares (5,5 mil milhões de euros).

Outro fator a ter em conta é o das eleições gerais em agosto de 2017 e o efeito da crise na votação. Ponto assente é que José Eduardo dos Santos continuará como presidente. "Creio que terá algum impacto, mas não me parece provável que tenha um impacto sistémico, isto é, que a crise económica seja o ponto de partida para qualquer alteração no statu quo. Admito, no entanto, que a CASA-CE e a UNITA possam melhorar os seus resultados eleitorais", disse Paulo Gorjão. "Não creio que haja grandes riscos de o MPLA perder as eleições. O único cenário válido para mim é o da diminuição do seu score eleitoral", adiantou, por sua vez, Alves da Rocha.

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