Após protestos de políticos, Amazon desiste de planos para sede que criaria 25 mil empregos

Empresa justifica desistência com a oposição que sentiu da parte de vários "políticos locais". Em causa estavam benefícios fiscais no valor de 3 mil milhões de dólares. Governador de Nova Iorque apoiava o projeto e já havia falado em "má prática governamental"

A Amazon anunciou esta quarta-feira que decidiu desistir dos planos de construir uma sede em Nova Iorque, o que significaria a criação de 25 mil empregos naquele estado. A empresa refere que "vários políticos locais e estaduais deixaram bem claro que se opõem" à presença da gigante tecnológica em Nova Iorque. Do outro lado, critica-se os benefícios fiscais que a empresa liderada por Jeff Bezos iria receber.

Em comunicado, a Amazon explicou que "após muita deliberação" decidiu não avançar com o plano de construir uma sede em Long Island City, na zona de Queens. "Enquanto sondagens mostraram que 70% dos nova-iorquinos apoiavam os nossos planos e investimento, alguns políticos locais e estaduais deixaram bem claro que se opõem à nossa presença e não trabalharão connosco para construir o tipo de relação necessário", refere a empresa.

"Para a Amazon, o compromisso de construir uma nova sede requer relações positivas e colaborativas com os representantes eleitos que seriam um suporte a longo prazo", acresce a nota.

Em causa, segundo a CNBC, está um pacote de incentivos, baseados em performance, que seria atribuído à Amazon. No total, o valor ascenderia 3 mil milhões de dólares (2,66 mil milhões de euros) e foi bastante criticado por políticos e representantes locais. Michael Gianaris, senador do Estado de Nova Iorque, foi eleito para a comissão que aprovaria a presença da Amazon. Questionado sobre se uma possível desistência da empresa (que aconteceu hoje), seria uma vitória, foi claro: "Segundo estes termos e o acordo que temos perante nós, completamente".

Contra o acordo da cidade e do estado com a Amazon estava também a democrata Alexandria Ocasio-Cortez, uma das representas nova-iorquinas do Estado de Nova Iorque na Câmara dos Representantes. A política norte-americana utilizou as redes sociais, argumentando que as "pessoas comuns" podem "organizar-se e juntar-se contra a expansão assustadora de uma das maior corporações do mundo".

Do lado dos que apoiavam o plano da Amazon, está o Governador de Nova Iorque, Andrew Cuomo, que afirmou que a presença da empresa traria 27 mil milhões de dólares (23,9 mil milhões de euros). Quando apareceram os primeiros rumores de que a Amazon poderia desistir do plano, Cuomo foi claro: "Querem diversificar a economia? Não querem ser só Wall Street e finanças? Nós precisamos da Amazon". O Governador de Nova Iorque, que teve direito a agradecimento da Amazon, disse também, na semana passada, que a oposição à Amazon era "má prática governamental".

"Obrigado mais uma vez ao governador Cuomo, ao mayor de Blasio, e a tantos lideres e residentes da comunidade que receberam os nossos planos e nos apoiaram durante este caminho. Esperamos ter oportunidades no futuro para colaborar e continuamos a construir a nossa presença em Nova Iorque", lê-se no final do comunicado da Amazon.

A empresa explicou ainda que do plano inicial, apenas caem os planos para Nova Iorque. Serão, de qualquer forma, criados 25 mil postos de trabalho em Arlington, Virgínia, e 5 mil em Nashville, no Tennessee, segundo números do ​​​​​​Washington Post.

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