Alunos comparam as leis de Salvini com as de Mussolini e professora é suspensa

Os alunos compararam a política de imigração do vice-primeiro-ministro Matteo Salvini com as leis raciais do regime fascista de Benito Mussolini.

Uma professora italiana foi suspensa depois de os seus alunos terem feito um vídeo no qual comparavam a lei de segurança elaborada pelo ministro do Interior, Matteo Salvini, líder da extrema-direita italiana, às leis raciais do regime de Mussolini. De acordo com o The Guardian, a suspensão da docente está a provocar uma onda de protestos em todo o país.

Rosa Maria Dell"Aria, de 63 anos, foi suspensa por 15 dias e meio, na sequência de uma investigação promovida pela delegação regional do ministério da Educação em Palermo, que concluiu que a professora não "supervisionou" o trabalho dos seus alunos.

O vídeo, no qual os eventos atuais são comparados à perseguição antissemita, foi apresentado pelos alunos do colégio Vittorio Emanuele III, situado em Palermo, capital da Sicília, em janeiro, no âmbito de um projeto realizado para o Dia Internacional de Recordação do Holocausto, que se celebra a 27 de janeiro.

Em declarações ao jornal britânico, a professora confessou estar "amargurada", não "pelos danos económicos" que a suspensão terá, mas pelos "danos morais e profissionais depois de uma vida inteira dedicada à escola e às crianças".

Os estudantes, que têm entre 15 e 16 anos, compararam as leis raciais do regime fascista de Benito Mussolini ao decreto de segurança de Salvini, que tinha sido aprovado no mês anterior. Entre outras razões, este decreto foi bastante criticado no país por abolir autorizações de residência atribuídas por razões humanitárias.

Segundo Rosa Maria Dell"Aria, o projeto não tinha "absolutamente nenhum propósito político nem a intenção de doutrinar os estudantes, que sempre trabalharam livremente".

Um pouco por todo o país, os professores têm vindo a manifestar a sua solidariedade com a docente e já anunciaram uma greve para protestar contra a suspensão.

Anna Ascani, vice-presidente do partido Democrata, considera que a suspensão do ministério da Educação é "muito dura". "O próximo passo é regressar à Opera Nazionale Balilla [organização juvenil fascista italiana]? Algumas pessoas querem transformar as escolas italianas em quartéis?", questionou.

Já o líder do partido democrata, Nicola Zingaretti, considera que esta é uma situação que "viola os princípios constitucionais da liberdade de ensino e de expressão". "Em Itália, os grupos de extrema-direita podem fazer e dizer o que quiserem, enquanto um estudante é impedido de expressar a sua reprovação", afirmou.

Marco Anello, chefe da autoridade regional do ministério da Educação em Palermo, defende a suspensão, alegando que a legislação foi cumprida. "Comparar o decreto de segurança com a lei racial não só ofende Salvini como o Estado italiano", justificou. Acusado de ser defensor do líder da extrema-direita, Anello afirmou que tanto tem servido os governos de direita como os da esquerda.

Os alunos entraram em contacto com o organismo que aplicou a suspensão, explicando que a comparação é da autoria dos próprios e que a professora não teve qualquer responsabilidade na escolha das imagens, tendo apenas dado apoio "do ponto de vista linguístico".

"Não sei quem propôs, controlou, ordenou ou sugeriu, mas colocar o ministro do Interior, Matteo Salvini - que pode ser simpático ou desagradável - a par com Mussolini, ou mesmo Hitler, parece absolutamente demente para mim", afirmou Salvini, citado pelo The Guardian.

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