Aliados e rivais de Temer já discutem nome de sucessor

São falados para presidente o ministro das Finanças, o presidente da Câmara dos Deputados e a líder do Supremo.

Hoje à noite a Câmara dos Deputados do Brasil vai discutir uma proposta de emenda à Constituição que permitiria a realização de eleições diretas em caso de renúncia, impeachment ou perda de mandato do presidente Michel Temer, do PMDB. No entanto, como por um lado a proposta precisa de ampla aprovação - três quintos dos parlamentares - e como por outro poderia resultar na eleição de Lula da Silva, o líder nas sondagens, amado à esquerda mas odiado à direita, governistas e oposicionistas dialogam sobre um nome consensual em caso de eleições indiretas, o cenário mais provável até 2018 por estar amparado no texto constitucional.

Nesse caso, três nomes surgem na dianteira no eleitorado de 594 deputados e senadores: o primeiro na lista é o de Henrique Meirelles (PSD), atual ministro das Finanças, que agradaria ao núcleo do governo, constituído pela cúpula do PMDB, por ser o ideólogo das reformas laboral e da Segurança Social em tramitação no Congresso. Embora bem visto no PSDB, a aprovação do seu nome estaria sujeita à garantia de que não concorreria à eleição em 2018, onde o partido de Fernando Henrique Cardoso pode apresentar dois pré-candidatos, até ver, competitivos, Geraldo Alckmin e João Doria, respetivamente governador e prefeito de São Paulo.

Como Meirelles, embora liberal e de direita, liderou com sucesso o Banco Central na era Lula, o PT aceitaria sob determinadas condições o seu nome. Joga contra si, por outro lado, o facto de ter sido presidente do conselho da JBS, precisamente a empresa de Joesley e Wesley Batista, os irmãos no centro da tempestade que pode derrubar Temer.

Outra opção é Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados e aliado fiel de Temer. Para ser aceite à esquerda, Maia, que pertence ao partido mais à direita do parlamento, o DEM, deveria comprometer-se a votar uma versão suave daquelas reformas até 2018, quando surgiria um presidente com a força do voto.

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), a juíza Carmen Lúcia, por pertencer ao poder com maior aprovação popular, o judicial, seria uma terceira opção para acalmar as ruas, que clamam por "diretas já".

Mas como o STF terá uma importante palavra a dizer na investigação a Temer na Lava-Jato e até nas regras eleitorais em caso de indiretas, o seu avanço seria considerada uma intromissão do poder jurídico numa prerrogativa do poder legislativo.

Entretanto, o mesmo parlamento que discute quem elegeria num sufrágio indireto, vai hoje à noite discutir uma emenda à Constituição assinada pelo deputado mais antigo da Câmara, Miro Teixeira (Rede), que permitiria a realização de eleições diretas, desejo da maioria da população e de boa parte dos observadores, para quem a crise atual resulta, entre outros motivos, do facto de Temer não ter a legitimidade do voto.

Esse processo, no entanto, seria mais demorado e imprevisível - e nesse caso, Lula da Silva, Dória, a ambientalista Marina Silva (Rede) e o populista de direita Jair Bolsonaro (PSC) partiriam como favoritos.

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