Alexis Tsipras pede solidariedade à UE antes de cimeira

Na véspera da reunião entre a União Europeia e Turquia, para lidar com a crise, pelo menos 18 migrantes morreram afogados no Egeu a tentar chegar às costas gregas

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, apelou ontem à União Europeia para recuperar o "sentido comum" e os valores de solidariedade e rejeitar as ideias extremistas que visam transformar o continente numa fortaleza. Os 28 Estados membros devem desbloquear hoje uma ajuda inédita de 700 milhões de euros à Grécia numa cimeira de emergência em Bruxelas com a Turquia, que vão pressionar para que ajude a travar o fluxo de migrantes. Mas a Alemanha rejeita a ideia de que Atenas deve ter mais tempo para atingir os objetivos orçamentais acordados com os credores por causa da crise migratória.

"A Europa está numa crise nervosa", disse Tsipras no comité central do Syriza. "Será que uma Europa de medo e racismo vai superar uma Europa de solidariedade?", questionou, acusando a Áustria e os países dos Balcãs de estragarem o continente ao travarem o fluxo de migrantes e refugiados. Cerca de 30 mil pessoas estão bloqueadas no norte da Grécia, à espera que a Antiga República Jugoslava da Macedónia reabra as fronteiras e possam seguir para a Alemanha. "A Europa mantém as fronteiras abertas à austeridade, mas fechadas para as pessoas que fogem à guerra", disse Tsipras, acusando a Áustria de querer impor a lógica de uma Europa fortaleza.

O chanceler austríaco, Werner Faymann, defendeu ontem a necessidade de Berlim seguir o exemplo de Viena e estabelecer uma quota para o número de refugiados que está disposta a aceitar. "A Alemanha deve clarificar as coisas ou então os refugiados vão continuar a partir em direção à Alemanha", disse ao jornal Kurier. "Se tivermos em conta as diretrizes austríacas, a Alemanha poderia colocar a sua quota em cerca de 400 mil", acrescentou.

O governo alemão não quis comentar estas declarações, lembrando apenas que Angela Merkel tem recusado a ideia de quotas. O porta-voz do ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, reagiu contudo à sugestão do presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, de que Atenas devia ter mais tempo para resolver os problemas orçamentais: "A questão dos refugiados e o programa de ajuda à Grécia não devem ser misturados."

Os gregos vão receber dos parceiros europeus uma ajuda de 700 milhões de euros ao longo de três anos para auxiliar com os dois mil migrantes que continuam a chegar diariamente às suas costas. "A UE deve e vai apoiar a Grécia de forma solidária", disse a chanceler alemã.

Pressão sobre Ancara

Angela Merkel esteve ontem reunida com o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, para preparar a cimeira de hoje. Bruxelas deverá pressionar Ancara para que cumpra as promessas do plano de ação, assinado no final de novembro, que inclui, entre outras coisas, facilitar a readmissão de imigrantes ilegais ou lutar contra os traficantes. Em contrapartida, a UE prometeu relançar o processo de adesão da Turquia e ofereceu uma ajuda de três mil milhões de euros para os 2,7 milhões de refugiados sírios no país.

Na véspera da cimeira, pelo menos 18 pessoas morreram quando a embarcação em que tentavam chegar às costas gregas se afundou. As autoridades conseguiram resgatar 15 pessoas com vida. Este ano, 135 mil migrantes já chegaram à Europa, 126 mil dos quais via Turquia, e 418 morreram, incluindo 321 ao tentar chegar às costas gregas.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, propôs na sexta-feira que a UE ajude a financiar a construção de uma cidade para os refugiados no norte da Síria. O objetivo é diminuir os refugiados que entram na Turquia e seguem para a Europa.

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