Alexandra, 15 anos, foi raptada. Polícia terá ignorado pedidos de ajuda

Foram encontrados restos mortais na casa de onde a adolescente fez as três ligações para o 112. Chefe da polícia foi demitido.

O ministro do Interior da Roménia, Nicolae Moga, demitiu o chefe da polícia depois de uma adolescente ter sido alegadamente assassinada após ter feito várias chamadas de emergência, que foram ignoradas durante horas. A jovem de 15 anos foi raptada na quarta-feira, mas ainda conseguiu fazer três ligações e dar detalhes às autoridades sobre o local onde estava presa.

A jovem foi raptada quando estava a pedir boleia para casa, de acordo com a polícia, citada pela BBC.

A família de Alexandra - não foi revelado o apelido - defende que a polícia romena não levou as chamadas da jovem a sério e as autoridades dizem que não foi possível perceber a tempo de onde a adolescente fez as ligações.

A polícia encontrou restos humanos - e joias que a jovem costumava usar - no interior de uma casa, e deteve um homem de 65 anos. Não é certo que os restos mortais sejam os de Alexandra.

Na manhã de quinta-feira, a jovem ligou para a linha de emergência 112 três vezes e disse que havia sido raptada pelo homem que lhe tinha dado boleia, revela a AFP.

Segundo Ioan Buda - o chefe de polícia demitido -, Alexandra gritou a alertar que o homem se estava a aproximar antes de a ligação cair.

A versão das autoridades é a de que demoraram a perceber de onde vinham as chamadas da adolescente e só pelas três da manhã conseguiram encontrar a casa de onde a adolescente teria feito as chamadas.

No entanto, segundo a AP, que cita os media locais, a polícia pediu um mandado de busca - o que não era exigido legalmente - e esperou pela manhã para entrar na casa. Tinham passado 19 horas desde a última chamada de Alexandra.

A polícia já enviou os restos mortais para autópsia. Podem pertencer à adolescente ou a uma jovem de 18 anos que desapareceu em abril, de acordo com a Reuters.

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

A angústia de um espanhol no momento do referendo

Fernando Rosales, vou começar a inventá-lo, nasceu em Saucelle, numa margem do rio Douro. Se fosse na outra, seria português. Assim, é espanhol. Prossigo a invenção, verdadeira: era garoto, os seus pais levaram-no de férias a Barcelona. Foram ver um parque. Logo ficou com um daqueles nomes que se transformam no trenó Rosebud das nossas vidas: Parque Güell. Na verdade, saberia só mais tarde, era Barcelona, toda ela.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Dos pobres também reza a história

Já era tempo de a humanidade começar a atuar sem ideias preconcebidas sobre como erradicar a pobreza. A atribuição do Prémio Nobel da Economia esta semana a Esther Duflo, ao seu marido Abhijit Vinaayak Banerjee e a Michael Kremer, pela sua abordagem para reduzir a pobreza global, parece indicar que estamos finalmente nesse caminho. Logo à partida, esta escolha reforça a noção de que a pobreza é mesmo um problema global e que deve ser assumido como tal. Em seguida, ilustra a validade do experimentalismo na abordagem que se quer cada vez mais científica às questões económico-sociais. Por último, pela análise que os laureados têm feito de questões específicas e precisas, temos a demonstração da importância das políticas económico-financeiras orientadas para as pessoas.

Premium

Marisa Matias

A invasão ainda não acabou

Há uma semana fomos confrontados com a invasão de territórios curdos no norte da Síria por parte de forças militares turcas. Os Estados Unidos retiraram as suas tropas, na sequência da inenarrável declaração de Trump sobre a falta de apoio dos curdos na Normandia, e as populações de Rojava viram-se, uma vez mais, sob ataque. As tentativas sucessivas de genocídio e de eliminação cultural do povo curdo por parte da Turquia não é, infelizmente, uma novidade, mas não é por repetir-se que se deve naturalizar e abandonar as nossas preocupações.