Alemanha e Turquia querem NATO a vigiar percurso de refugiados

Proposta quer Aliança Atlântica a controlar principais vias de entrada na Europa. Duplo naufrágio causa mais 35 mortos

Berlim e Ancara vão utilizar a reunião dos ministros da Defesa dos países membros da Aliança Atlântica, que se realiza amanhã e quinta-feira em Bruxelas, para propor o envolvimento de forças dos países membros da NATO em patrulhas nos mares Mediterrâneo e Egeu.

O objetivo é a colaboração com as unidades da agência fronteiriça europeia, a Frontex, e da guarda costeira turca para impedir a repetição de tragédias como aquela sucedida ontem ao largo do Mar Egeu, com dois naufrágios a causarem um total de 35 mortos. Um número de vítimas que se vem somar às 284 pessoas que perderam a vida desde o início do ano em tentativas para passar da Turquia para a Grécia.

O primeiro naufrágio sucedeu quando a embarcação tentava alcançar a ilha grega de Lesbos, tendo morrido 11 pessoas, ao largo de Dikili, na província de Izmir. O segundo ocorreu ao norte de Dikili, tendo perdido a vida 24 pessoas. Em ambos os casos haveria vítimas infantis, segundo as agências turcas.

O anúncio do pedido para o envolvimento direto da NATO na crise dos refugiados foi feito pela chanceler Angela Merkel, ontem em Ancara, no final de um encontro que manteve com o seu homólogo turco, Ahmet Davutoglu. Para Merkel, a Aliança Atlântica "deve apoiar a ação da Frontex e da guarda costeira turca", com os "seus mecanismos de observação e acompanhamento nas fronteiras e ao largo do Egeu".

Os refugiados sírios continuam a chegar à Turquia, país que acolhe já mais de 2,7 milhões de naturais daquele primeiro país, procurando, em seguida, entrar em espaço da União Europeia. Ainda ontem, mais de 30 mil sírios se aglomeravam junto à fronteira turca, em fuga da intensificação dos combates que está a suceder à volta de Aleppo. Aqui, as forças fiéis a Bashar al-Assad estão na ofensiva, apoiada pelos ataques da aviação russa, e estão a expulsar as milícias da oposição (ver caixa).

Em resposta a esta mais recente concentração de refugiados junto da fronteira, as autoridades turcas estavam ontem a enviar tendas para território sírio, numa tentativa de minimizar as difíceis condições em que estes se encontram. Um jornalista da ITV afirmava ontem que milhares de refugiados estavam acampados ao relento, tendo sucedido nos últimos dias confrontos entre eles nos momentos de distribuição de alimentos.

Sublinhando que "ninguém deve pensar que a Turquia (...) possa aceitar sozinha carregar esse fardo", afirmou Ahmet Davutoglu. Mas o governante de Ancara sublinhou que os "nossos irmãos sírios" não serão abandonados, e "tudo será feito" para os ajudar.

Ainda sobre a proposta a apresentar na reunião da NATO que se inicia amanhã em Bruxelas, Merkel explicou que esta será feita em conjunto pelos dois países e visa, além de garantir a segurança dos refugiados, contribuir para o controlo das suas entradas em território europeu.

Fonte da NATO, ouvida pela Reuters, salientava já terem sido acordadas medidas com a Turquia, em dezembro, em caso de agravamento dos conflitos na Síria e Iraque, e que estas medidas incluíam missões de patrulhamento aéreo e naval e outras não especificadas no domínio da recolha de informações e vigilância. Mas sublinhou que a "NATO não está atualmente envolvida na crise dos migrantes".

O presidente Barack Obama já manifestou disponibilidade dos Estados Unidos para "trabalhar" com os restantes aliados numa "solução" para a crise.

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