Água chega aos 1,30 m no Texas. Trump visita hoje zonas afetadas

Com Houston ainda a sofrer inundações "catastróficas, o Harvey, agora reduzido a tempestade tropical, mas não menos perigoso, dirige-se à Louisiana, com Nova Orleães no seu caminho, 12 anos após ter sido destruída pelo Katrina.

Algumas partes do Texas podem ficar submersas debaixo de 50 polegadas de águas até meados desta semana. Para termos uma ideia do que são 50 polegadas (pouco menos de 1,30 metros), a CNN ontem explicava que é quase a altura de um Volkswagen Carocha. O furacão Harvey, agora reduzido à tempestade tropical mas não menos perigoso, continua a causar inundações "catastróficas", transformando estradas em rios e obrigando as equipas de emergência a resgatar mais de duas mil pessoas. Desde que atingiu a costa na sexta-feira a noite, o Harvey já largou mais de nove biliões (sim, os trillions anglo-saxónicos) de toneladas de chuva. Hoje o presidente Donald Trump, e a mulher, Melania, vão ao Texas visitar alguns locais afetados, enquanto o Harvey se move lentamente para a Louisiana, com Nova Orleães no seu caminho.

Com as autoridades federais forçadas a abrir as comportas de algumas barragens, a previsão é que a situação venha a piorar nos próximos dias. A FEMA, agência Federal de gestão de emergências, estava ontem a pedir a ajuda dos cidadãos para lidar com o pior furacão a atingir a costa do Texas desde 1961. Com as equipas de emergência sem mãos a medir e incapazes de dar respostas a todos os pedidos de ajuda que estão a receber, até os guardas fronteiriços do Texas foram chamados em apoio, esquecendo por uns dias a missão de controlar a entrada de ilegais. "Queremos dizer às comunidades que os nossos agentes estão aqui para ajudar e não para lhes pedir os documentos", esclareceu o porta-voz da Agência de Estrangeiros e Fronteiras.

Também no terreno estão os 12 mil agentes da Guarda Nacional do Texas. Com Houston e os 6,5 milhões de habitantes da sua área metropolitana em risco, o mayor de Dallas já disse estar pronto para receber quem foi forçado a deixar a sua casa. Mike Rawlings explicou poder receber cinco mil pessoas só num único centro de convenções.

A decisão das autoridades de Houston de não forçarem a evacuação da cidade antes da chegada do Harvey tem sido muito criticada. Ontem o mayor Sylvester Turner voltou a explicar que tirar 6,5 milhões de pessoas de casa "é difícil". Na véspera garantira que evacuar a cidade poderia ter sido catastrófico, uma vez que podia bloquear as estradas.

O presidente Donald Trump, que tem seguido a situação a partir de Washington, deve hoje deslocar-se a algumas das zonas afetadas, acompanhado pela primeira-dama, Melania. Nos últimos dias, Trump escreveu vários tweets a elogiar as equipas de emergência no Texas. "Presumo que o presidente vá ficar muito preocupado com o que vai ver nestas regiões, com os danos sofridos", disse à CNN o governador do Texas, Greg Abbott.

Do Texas, o Harvey deve deslocar-se hoje para a Louisiana. O estado já se encontra em estado de emergência num estado que ainda não esqueceu a destruição e as mais de 1800 mortes causadas pelo furacão Katrina em 2005. Na altura, Nova Orleães foi a cidade mais afetada, depois de a força da tempestade quebrar o diques que a protegiam. Agora espera pelo menos 25 centímetros de água.
Acusado de não ter acionado a ajuda suficientemente rápido durante o Katrina, o ex-presidente George W. Bush emitiu ontem um comunicado a saudar a resposta no Texas e a garantir que "estas comunidades vão recuperar e florescer".

Gasolina a subir

O furacão Harvey deixou o Texas debaixo de água e os mercados à tona. Cerca de um quarto da produção de petróleo e gás natural do Golfo do México está parada. O mesmo acontece com 10% da capacidade de refinação de petróleo do país, que no Texas ascende a 5,6 milhões de barris por dia. O preço da gasolina nos EUA atingiu esta segunda-feira máximos de dois anos, face aos receios em torno das condições de transporte e armazenamento de combustível nas próximas semanas.

Já o preço do petróleo está em queda. O barril de brent, referência das importações europeias, cai 1,3% para os 51,7 dólares. Já o barril de crude recua 1,51% para 46,36 dólares. Segundo os analistas consultados pela Reuters, o encerramento das refinarias por tempo indeterminado pode fazer recuar a procura pela matéria-prima produzida no país. As cotadas mais afetadas pelo furacão foram as companhias de seguros, como a Progressive Corp. e a The Travelers Companies. O furacão também teve impacto no mercado cambial, com o dólar a cair para mínimos de dois anos e meio face ao euro. A moeda única está próxima dos 1,20 dólares. Com Ana Sanlez

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