Afro-americano levado preso por uma corda processa cidade e polícia. Pede um milhão de dólares

A imagem de Donald Neely a ser levado preso por uma corda causou indignação no ano passado. A polícia de Galveston, no Texas, fez um pedido de desculpas público pela conduta dos agentes.

Numa rua do Texas, Donald Neely, de 44 anos, foi levado preso por uma corda por dois agentes brancos a cavalo. O caso que provocou indignação aconteceu no ano passado e agora o afro-americano processou a cidade e o departamento da polícia em um milhão de dólares.

As fotografias de Neely a ser detido circularam nas redes sociais originando críticas e acusações de racismo, uma vez que o momento registado fazia lembrar o tempo em que os negros eram escravizados nos EUA. A polícia de Galveston viu-se obrigada a fazer um esclarecimento e um pedido de desculpa público perante a forma como o afro-americano foi detido por invasão de propriedade privada.

"Sentiu que estava a ser exibido como um escravo"

O comportamento dos polícias foi "extremo e ultrajante", tendo causado ferimentos ao nível físico e psicológico, refere o processo judicial que foi instaurado esta semana, de acordo com a BBC. A emissora britânica refere que as acusações contra Neely, que na altura vivia em condição de sem-abrigo, foram posteriormente rejeitadas em tribunal.

Apesar da onda de indignação que as imagens originaram, os Texas Ranger não encontraram razões para uma investigação por considerarem que os agentes não tiveram um comportamento criminoso.

No processo que deu entrada no tribunal distrital do condado de Galveston, é referido que a conduta dos agentes da polícia gerou "constrangimento, humilhação e medo" em Donald Neely, que anteriormente tinha sido hospitalizado por problemas mentais.

"Sentiu que estava a ser exibido como um escravo", refere o documento. A ação judicial afirma ainda que os agentes tinham consciência da conduta ofensiva ao levar Neely puxado por uma corda, "como se fosse um escravo".

Um ano depois dos acontecimentos, o afro-americano acusa a cidade e o departamento de polícia de Galveston de negligência. As autoridades preferiram não comentar a abertura da ação judicial que pede uma indemnização de um milhão de dólares.

Na altura em que tudo aconteceu, o departamento de polícia deu a sua versão dos factos, tendo pedido desculpa pela forma como os dois agentes detiveram o afro-americano. "Nenhuma unidade de transporte estava disponível no momento da detenção e um homem foi algemado e escoltado ao lado de dois polícias a cavalo. Embora essa técnica de usar cavalos montados para transportar uma pessoa seja considerada uma prática recomendada em determinados cenários, como durante o controlo de multidões, essa prática não era a mais correta para esta situação", admitiu a polícia.

"Embora essa seja uma técnica treinada e uma boa prática em alguns cenários, acredito que os nossos agentes demonstraram uma má análise neste caso e poderiam ter esperado por uma unidade de transporte no local da detenção. Os nossos agentes não tiveram nenhuma intenção maliciosa no momento da detenção, mas mudámos imediatamente a nossa política para evitar o uso desta técnica e iremos rever todos os treinos e procedimentos para métodos mais apropriados. Compreendemos a perceção negativa desta ação e acreditamos que o mais apropriado é interromper o uso desta técnica. O chefe da polícia tomou medidas imediatas para suspender esta técnica de transporte durante as detenções", podia ler-se na declaração que o departamento da polícia da cidade texano divulgou.

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