Premium Afeganistão vota entre a ameaça dos talibãs e a da fraude eleitoral

Eleições ocorrem depois de os EUA cancelarem as negociações de paz com o grupo islamita, que apelida o escrutínio de "farsa". Diálogo não incluía o governo, cuja legitimidade os talibãs não reconhecem.

As eleições presidenciais do Afeganistão, já por duas vezes adiadas, chegam neste sábado num dos piores momentos para o país. Não só voltam a extremar a divisão e pôr como adversários o presidente Ashraf Ghani e o primeiro-ministro Abdullah Abdullah, que após as denúncias de fraude nas eleições de 2014 e o mediar dos EUA chegaram a acordo para um governo de unidade, como se realizam após o cancelamento das negociações de paz entre Washington e os talibãs. O grupo islamita, afastado do poder em 2001, controla ou disputa mais de metade do país, ameaçando todos os que vão às urnas.

"Estas presidenciais têm todo o potencial e a possibilidade de levar o país ainda mais para o abismo da crise, da insegurança e das divisões", alertou o ex-presidente Hamid Karzai, que liderou o país durante mais de uma década, de 2001 até 2014. Numa entrevista à AP, Karzai defendeu que as eleições só deviam ocorrer depois de um acordo de paz - apelando ao retomar do diálogo entre os EUA e os talibãs, mas que desta vez incluísse também o governo afegão e outros países, como Rússia e China - e da aprovação de uma nova Constituição. "Não podemos ter eleições num país que está a atravessar um conflito imposto pelos estrangeiros. Estamos numa guerra de interesses e objetivos internacionais. Não é o nosso conflito. Só estamos a morrer", disse.

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