Advogado de Stormy Daniels representa mais três mulheres contra Trump

Michael Avenatti diz que Trump e o advogado Rudy Giuliani têm todas as informações sobre as mulheres, que alegam terem sido pagas antes das eleições para não falarem. Uma delas estaria grávida

O advogado de Stormy Daniels, Michael Avenatti, revelou esta quinta-feira à noite que representa mais três mulheres que terão sido pagas por Donald Trump, o seu ex-advogado Michael Cohen e a AMI para se manterem caladas antes das eleições de 2016. O teor dos casos em questão e o nome das mulheres não foi revelado, mas Avenatti espera vir a obter autorização delas para o fazer brevemente. A AMI é a detentora do tabloide National Enquirer e comprou os direitos sobre o caso de Karen McDougal, a modelo da Playboy que alega ter tido um affair com Donald Trump, para impedir que ela contasse tudo publicamente.

Michael Avenatti falava num evento promovido pela cidade de West Hollywood para debater o caso de Stormy Daniels, o processo do procurador especial Robert Mueller e a crise da separação de famílias na fronteira sul dos Estados Unidos.

"Representamos mais três mulheres de que vocês ainda não ouviram falar", revelou Michael Avenatti, perante uma audiência estupefacta. "Estamos no processo de conseguir autorização dessas clientes para libertar detalhes relacionados com esses pagamentos e os esforços para as silenciar por parte da AMI, Donald Trump e Michael Cohen." Avenatti disse depois aos jornalistas que tanto Michael Cohen como Donald Trump têm todas as informações sobre os casos e desafiou-os a negarem a sua existência publicamente. Quando questionado sobre a natureza dos pagamentos, se eram referentes a relações extraconjugais entre o então candidato Trump e as três mulheres, Avenatti disse que "eles não andavam aí a dar cheques a qualquer pessoa", mas escusou-se a dar muito mais detalhes.

O que disse é que "uma das mulheres afirmou estar grávida à altura destes acontecimentos." Referiu ainda que se prepara para pedir que Cohen e o seu advogado Lanny Davis revelem todas as informações que detêm sobre estes casos.

A revelação do advogado acontece no mesmo dia em que a CNN noticiou mais uma revelação alegadamente vinda de Michael Cohen, o ex-advogado de Trump que aparenta ter-se virado contra o presidente para salvar a pele. Segundo fontes citadas pela estação televisiva, Cohen disse que Trump sabia que a reunião entre a sua campanha e operativos russos em junho de 2016 tinha como objetivo a partilha de segredos sobre a oponente Hillary Clinton. É algo que o presidente negou veementemente no passado, antes e depois do seu filho Donald Trump Jr. ter revelado que os emails trocados com os russos continham promessas de informações negativas sobre Clinton.

"Eu disse que Cohen se viraria contra o presidente. Assistimos a uma série de tiros de aviso em que ele procurou que o presidente o salvasse, e isso não aconteceu", analisou Avenatti. "Um dos muitos problemas deste presidente é que ele exige lealdade de todos e oferece lealdade a nenhum."

Avenatti candidato pelos Democratas?

A possibilidade de Michael Avenatti se candidatar à nomeação presidencial pelos Democratas nas eleições de 2020 foi levantada e o advogado não a afastou. "Sim, considerarei candidatar-me pelos Democratas em 2020. Se não sentir que eles têm um lutador capaz de ir atrás de Donald Trump, candidato-me e vou derrotá-lo", afirmou. Mais tarde, foram vários os membros da audiência que quiseram tirar "selfies" com o advogado, que foi projetado para as luzes da ribalta pelas enormes consequências que o processo legal que opõe Stormy Daniels ao presidente dos Estados Unidos está a ter. "Eu votaria em si!", exclamou uma mulher, ao mesmo tempo que tirava uma foto com Avenatti.

No debate em West Hollywood participou também Steve Madison, partner na Quinn Emanuel Trial Lawyers e ex-procurador federal, e Mariana Magaña Gamero, responsável de política regional na Coalition for Human Immigrant Rights of Los Angeles. Uma das presenças mais sonoras na audiência foi a da atriz Frances Fisher ("Titanic", "Unforgiven"), que fez ouvir a sua indignação com a atual presidência e liderou rondas de aplausos a declarações de Avenatti e Madison.

A possibilidade de destituição provocada pela investigação de Robert Mueller foi amplamente discutida, mas Avenatti não acredita que será esse o desfecho da presidência de Trump. "Há mais de 100 gravações de Cohen", disse o advogado. "O problema é que Trump escolheu alguém para resolver problemas que não era nem duro nem esperto. É isso que vai trazer a sua queda." Avenatti acredita que a quantidade de provas contra Trump que será desenterrada a partir de Cohen será tão forte que o presidente não conseguirá resistir à pressão. "Não acredito que ele cumpra o mandato até ao fim."

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