Acusado de xenofobia, Trump não recua sobre congressistas democratas: "Podem ir embora"

Presidente volta a sugerir a quatro mulheres congressistas democratas que abandonem os EUA. Nancy Pelosi anuncia apresentação de resolução para condenar tweets "xenófobos" de Trump no Congresso

Apesar das ondas de choque provocadas pelos seus tweets sobre quatro congressistas democratas, o presidente dos EUA, Donald Trump, não recuou nem ofereceu qualquer pedido de desculpa. Pelo contrário, num evento na Casa Branca nesta segunda-feira, Trump disse não estar preocupado com o facto de muitas pessoas terem considerado esses tweets racistas e acusou as quatro legisladoras democratas de odiarem os Estados Unidos.

"Para mim, quem odeia o nosso país, quem não está feliz aqui, pode ir embora", disse Donald Trump na Casa Branca, à margem de um evento destinado a destacar produtos industriais dos Estados Unidos.

"Se alguém não está feliz nos EUA, se reclama o tempo todo, é muito simples: pode sair", disse o líder norte-americano, atraindo alguns aplausos entre a multidão. "Podem sair já. Não sei quem vai sentir falta dessas pessoas", reforçou, numa referência às congressistas democratas Alexandria Ocasio-Cortez, Ilhan Omar e Rashida Tlaib e Ayanna Pressley,sobre as quais tinha publicado uma série de tweets, no domingo, "convidando-as" a regressar aos respetivos países de origem, o que motivou acusações de xenofobia e críticas até por parte de alguns membros do Partido Republicano - como foram os casos da senadora Lisa Murkowski, do Alasca, ou do senador Pat Toomey, da Pennsylvania.

Questionado pelos jornalistas presentes na Casa Branca sobre se não estava preocupado por algumas pessoas considerarem os seus tweets racistas ou com o fato de poder ser associado a uma causa dos supremacistas brancos, Trump disse que não. "Não me preocupa porque muitas pessoas concordam comigo", disse o presidente dos EUA.

No fim de semana, Trump disse num tweet que as quatro mulheres democratas conhecidas informalmente no Congresso como "o esquadrão [squad]" deveriam "voltar" aos "lugares totalmente destruídos e infestados de crime de onde vieram", sugerindo a extradição.

É "muito interessante ver congressistas democratas, progressistas, que originalmente vêm de países cujos governos são uma catástrofe total e completa, os piores, os mais corruptos e ineptos do mundo (se é que funcionaram como governos), dizerem em voz alta e agressivamente para o povo dos EUA, a maior e mais poderosa nação do mundo, como o nosso governo deve ser gerido", escreveu Trump na rede social Twitter.

Ocasio-Cortez, Tlaib e Pressley nasceram nos EUA, mas têm origem porto-riquenha e palestiniana, enquanto Omar nasceu em Mogadíscio e chegou a território norte-americano como refugiada.

Já esta segunda-feira, Trump voltou ao ataque no Twitter, acusando as congressistas de "vomitar ódio racista" - precisamente devolvendo a acusação que lhe tinha sido feita na sequência dos tweets de domingo.

O presidente norte-americano escreveu : "Quando é que as congressistas da Esquerda Radical pedirão desculpas ao nosso país, ao povo de Israel e até ao Gabinete do Presidente, pela linguagem insultuosa que usaram e pelas terríveis coisas que disseram. Tantas pessoas estão zangadas com elas com as suas ações horríveis e nojentas!"

E acrescentou: "Se os democratas querem unir-se em torno da linguagem insultuosa e do ódio racista expulso das bocas e ações dessas mulheres bastante impopulares e não representativas do Congresso, vai ser interessante ver como isso se desenrola".

Nancy Pelosi anuncia resolução para condenar tweets de Trump no Congresso

Entretanto, a presidente da Câmara dos Representantes no Congresso norte-americano, Nancy Pelosi, anunciou a apresentação de uma resolução com vista à condenação de Donald Trump pelos seus tweets considerados racistas.

"Neste fim de semana, o presidente foi além dos seus próprios padrões baixos usando linguagem vergonhosa sobre os membros do Congresso", escreveu Pelosi numa carta aos democratas da Câmara anunciando os planos do partido, informou o site Politico.

"Esta manhã [segunda-feira], o presidente redobrou os seus ataques às nossas quatro colegas sugerindo que elas lhe deveriam pedir desculpa. Deixe-me ser clara, o nosso grupo continuará a responder com força a esses ataques repugnantes", acrescentou Pelosi, dando sinal de união entre os democratas, depois das notícias dos últimos tempos sobre divergências entre a ala moderada de Pelosi e a progressista simbolizada pelo esquadrão das quatro congressistas criticadas por Trump.

* Com Reuters

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