Acordo de paz entre governo da Colômbia e FARC é assinado no dia 26

Anúncio foi feito pelo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, que falou visivelmente emocionado

O Presidente colombiano, Juan Manuel Santos, anunciou hoje que o acordo de paz, concluído na semana passada com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), vai ser assinado em 26 de setembro, em Cartagena das Índias.

"A paz vai ser assinada em 26 de setembro, em Cartagena", anunciou o chefe de Estado, cujo governo concluiu um acordo com as FARC, ao fim de quatro anos de negociação, para terminar com um conflito armado, velho de 52 anos, que causou milhares de mortos.

Visivelmente emocionado, Santos começou por dizer "26 de abril", antes de recomeçar e repetir a frase do princípio ao fim, reforçando bem a data de "26 de setembro", durante uma intervenção em Cartagena, perante a assembleia da Confederação colombiana das Câmaras de Comércio.

O chefe de Estado acrescentou que este era "provavelmente o anúncio mais importante" que alguma vez fez na vida.

Às zero horas de 29 de agosto (06:00 de Lisboa) entrou em vigor o primeiro cessar-fogo bilateral e definitivo ordenado pelas FARC, o mais importante grupo de guerrilha da Colômbia, nascido em 1964 de uma insurreição camponesa e que conta com cerca de 7.500 combatentes armados.

O acordo de paz, concluído após negociações deslocalizadas em Havana, ainda tem de ser ratificado pela X Conferência Nacional das FARC, que estava prevista originalmente para decorrer entre 13 e 19 de setembro, mas que a guerrilha decidiu hoje suspender.

As FARC anunciaram, em comunicado dirigido aos "jornalistas e outros interessados para cobrir ou assistir à Décima Conferência Nacional Guerrilheira que, por razões logísticas (...) não vai ter lugar nas datas previstas de 13 a 19 de setembro", acrescentando que "as novas datas vão ser comunicadas em breve".

Depois, o acordo vai ser assinado pelo Presidente Santos e o chefe principal das FARC, Rodrigo Londoño, mais conhecido pelos seus nomes de guerra Timoleon Jiménez ou Timochenko, antes de ser submetido à aprovação dos colombianos, em referendo marcado para 02 de outubro.

Os eleitores vão ter de responder "sim" ou "não", à questão "Apoia o acordo final de conclusão do conflito e de construção de uma paz estável e durável?".

Para vencer, o "sim" tem de recolher pelo menos 4,4 milhões de votos (13% do eleitorado) e o "não" um total inferior.

A Colômbia encaminha-se assim para o final de uma guerra fratricida, que é o conflito mais antigo nas Américas e implicou ao longo da sua existência várias guerrilhas de extrema-esquerda, milícias paramilitares de extrema-direita e o exército, causando, pelo menos, 260 mil mortos, 45 mil desaparecidos e 6,9 milhões de deslocados.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG