Tariq Ramadan detido em Paris por suspeita de violação

O académico muçulmano é acusado de violação por duas mulheres, mas poderão vir a ocorrer mais denúncias

Tariq Ramadan, conhecido filósofo e académico muçulmano, é acusado de violação por duas mulheres em outubro último, foi hoje detido em Paris, indicaram fontes judiciais citadas pelas agências internacionais.

De nacionalidade suíça, Ramadan foi detido hoje de manhã por investigadores da polícia judiciária da capital francesa e é alvo de duas denúncias por violação e de atos de violência que provocaram uma incapacidade temporal, indicaram as mesmas fontes à agência noticiosa espanhola EFE.

Em outubro passado, a justiça francesa abriu um inquérito preliminar após duas mulheres terem apresentado queixa contra o especialista de Estudos Islâmicos de 55 anos.

Outras mulheres anunciaram posteriormente que estavam a ponderar também apresentar queixa contra Tariq Ramadan.

A primeira mulher a denunciar o académico, a 20 de outubro, foi a ativista e autora Henda Ayari, que contou a diversos meios de comunicação social franceses como foi "vítima de uma grave agressão sexual" por parte de Tariq Ramadan, em março de 2012, em Paris.

"Para ele, estás com ele ou és violada", disse Henda Ayari, de 40 anos, depois de explicar que os acontecimentos que relatou aconteceram num hotel, depois de contactos com o pensador através das redes sociais.

Nos últimos contactos mantidos com Tariq Ramadan, que começaram em 2010, o pensador censurou a ativista por publicar uma fotografia na rede social Facebook em que aparecia sem véu e com maquilhagem.

Segundo Henda Ayari, o académico muçulmano afirmou na altura que a renúncia do véu a tornava responsável pelas consequências e que, por essa razão, "tinha o que merecia".

Por medo das ameaças alegadamente feitas pelo académico, a ativista preferiu durante vários anos não apresentar queixa. Posição que reconsiderou perante a recente vaga de denúncias em Hollywood contra várias figuras influentes e poderosas do meio cinematográfico norte-americano, como o produtor Harvey Weinstein, e do movimento das vítimas de assédio sexual "#MeToo".

A segunda mulher que denunciou o académico preferiu permanecer no anonimato, mas referiu que os acontecimentos remontam a 2009.

De acordo com o testemunho da mulher de 45 anos, publicado pelos jornais franceses Le Monde e Le Parisien, o caso tem muitas semelhanças com a situação de Henda Ayari: as alegadas agressões ocorreram no hotel Hilton de Lyon, onde o académico a tinha convidado para falar.

Perante as declarações das duas alegadas vítimas, Tariq Ramadan denunciou o que qualificou como uma "campanha de calúnias", promovida pelos seus "inimigos de sempre".

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