Abe e Obama em Pearl Harbor dias depois dos 75 anos do ataque

Presença dos estadistas visa superar "escolhos do passado" nas relações entre EUA e Japão. Visita surge num momento em que estratégia para a Ásia da futura administração Trump preocupa Tóquio.

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, e o presidente Barack Obama, dos Estados Unidos, vão encontrar-se a 26 e 27 deste mês em Pearl Harbor, pouco mais de duas semanas após o 75.º aniversário do ataque nipónico à base aeronaval americana nesta ilha do Pacífico, a 7 de dezembro de 1941, e que levou Washington a declarar guerra a Tóquio e a entrar na II Guerra Mundial (ver infografia AQUI).

O encontro foi anunciado em Tóquio e pela Casa Branca, com o porta-voz do primeiro-ministro Abe a explicar que este não irá pedir perdão pelo ataque de há 75 anos, mas não deixará de "confortar as almas das vítimas". Esta será a primeira deslocação de um governante de Tóquio a Pearl Harbor. O objetivo do encontro é o de "demonstrar o poder da reconciliação que tornou dois antigos adversários em aliados muito próximos", referiu o governante nipónico numa declaração divulgada ontem. Abe e Obama combinaram a reunião à margem da cimeira da APEC, que decorreu em setembro na capital do Peru, Lima. A deslocação de Abe a Pearl Harbor sucede sete meses após a primeira visita de Obama a Hiroxima, a cidade japonesa, que com Nagasáqui, foi alvo de um ataque nuclear dos EUA, em agosto de 1945. Uma semana depois, o imperador Hirohito anunciava a rendição do Japão.

Na deslocação de maio a Hiroxima, em que esteve acompanhado por Abe, Obama salientou que a visita se destinava a honrar a memória das vítimas do conflito e não podia ser interpretada como pedido de desculpas pelo bombardeamento que causou cerca de 140 mil mortos. Então, o presidente americano afirmou que a sua presença na cidade, tendo ao lado o chefe do governo de Tóquio, era "uma prova de que até o mais doloroso dos antagonismos pode ser ultrapassado".

Durante a visita de 26 e 27, Abe e Obama visitarão o Memorial USS Arizona, o cruzador afundado no ataque de 1941 e que foi transformado em monumento para homenagear os 1102 marinheiros que morreram nesse dia entre os 1177 a bordo.

Após a presença de Obama em Hiroxima, a deslocação de Abe a Pearl Harbor visa completar o processo de reconciliação entre os dois países, hoje de facto aliados próximos, e sucede num momento em que se verificam algumas preocupações em Tóquio sobre a diplomacia de Donald Trump para a Ásia.

A Reuters lembrava ontem que, falando perante o Congresso dos EUA em 2015, Abe expressou "profundo arrependimento" pelo papel do Japão na Segunda Guerra Mundial. Para o académico americano Jeffrey Kingston, citado pela Reuters, o primeiro-ministro nipónico, com a sua presença em Pearl Harbor, pretende "afastar os escolhos do passado" na relação futura com o Trump. O que "é inteligente" da sua parte e importante para umas relações bilaterais sem sobressaltos, defende o mesmo académico.

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