Abbas avisa: solução de dois Estados está em perigo

Conferência sobre paz no Médio Oriente começa hoje em França mas é boicotada pelo líder israelita Benjamin Netanyahu

A paz e a solução de dois Estados para o conflito israelo-palestiniano estarão ameaçadas se os EUA transferirem a sua embaixada em Israel de Telavive para Jerusalém (cidade disputada) - tal como prometeu o presidente eleito norte-americano, Donald Trump. Quem o diz é o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, que hoje deverá estar em Paris, onde se reunirá com alguns líderes mundiais à margem da conferência sobre a paz no Médio Oriente. Organizada pela França, a reunião conta com a presença de governantes de sete dezenas de países, entre os quais o secretário de Estado cessante dos EUA, John Kerry, mas é boicotada pelo primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu.

"Estamos à espera para ver o que acontece e, se acontecer, não ajudará em nada a paz e, por isso, espero que não venha a acontecer", declarou ontem aos jornalistas Mahmud Abbas, após um encontro de 25 minutos com o Papa Francisco no Vaticano. Numa entrevista escrita ontem publicada pelo jornal francês Le Figaro, o líder palestiniano já tinha afirmado que a mudança da embaixada norte-americana para Jerusalém "não só deixaria os EUA sem legitimidade para ter um papel na resolução do conflito como reduziria a zero a solução de dois Estados". Após a reunião com o Papa Francisco, Abbas inaugurou ontem a embaixada palestiniana no Vaticano, depois de este ter reconhecido formalmente o Estado palestiniano.

Recentemente, Trump, que no dia 20 sucede a Barack Obama como presidente dos EUA, prometeu transferir a embaixada norte-americana para Jerusalém. A posição das sucessivas administrações tem sido, até agora, a de dizer que o estatuto final da cidade tem de ser alvo de uma negociação. Além de ser disputada entre israelitas e palestinianos, Jerusalém abriga locais sagrados tanto para judeus como muçulmanos e cristãos. Num comunicado oficial, o Vaticano apelou ao recomeço das negociações diretas entre israelitas e palestinianos "para que chegue ao fim a violência que causa o sofrimento das populações civis e seja encontrada uma solução justa e duradoura".

Com a intenção de dar um novo impulso ao processo, ainda antes de Trump chegar à Casa Branca, várias iniciativas têm ocorrido. A primeira foi a aprovação na ONU de uma resolução a condenar a construção de colonatos judaicos, com a abstenção inédita dos EUA. A segunda é a conferência internacional que hoje começa em Paris. Sem gerar grandes expectativas, a reunião conta representantes de cerca de 70 governos - incluindo o de Portugal (vai a secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Teresa Ribeiro) - e do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. Em reação, Benjamin Netanyahu afirmou que "esta conferência é uma impostura palestiniana com o aval da França destinada a adotar posições anti-israelitas. Faz retroceder a paz. Não nos associamos a ela".

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