A "tempestade perfeita" que fez cair o avião do Chapecoense

A tragédia que vitimou a equipa de futebol brasileira na Colômbia foi o resultado de um conjunto de erros

Uma série de acontecimentos em cadeia contribuiu para a queda do avião que transportava a equipa do Chapecoense esta terça-feira.

Falta de combustível

As autoridades de aviação da Colômbia confirmaram esta quinta-feira que o avião não tinha combustível no momento do impacto.

"Podemos garantir com toda a certeza que a aeronave não tinha combustível no momento do impacto e, por isso, foi aberto um processo de inquérito para determinar o motivo", disse o secretário de Segurança de Aviação Civil (Aerocivil) da Colômbia, Fredy Bonilla.

Fredy Bonilla lembrou que as normas internacionais exigem que uma aeronave tenha combustível suficiente para cobrir a rota e possua uma reserva adicional para aterrar, se necessário, num aeroporto alternativo.

Falta de autonomia

Segundo a Globo, o avião teria autonomia para percorrer 3000 quilómetros e o percurso entre o aeroporto de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, de onde partia, e o aeroporto de Medellín era de 2985 quilómetros.

Além disso, aquele modelo de avião pode ficar no ar no máximo 4h30 minutos. Quando a aeronave se aproximou do aeroporto de Medellín, já tinha voado durante 4h15 minutos.

Prioridades de aterragem

Apesar do pouco combustível e do tempo de voo, o caso poderia ter tido outro rumo se o avião não tivesse sido obrigado a ficar em fila de espera para aterrar. Como foi revelado na gravação da última conversa entre o piloto Miguel Quiroga e a torre de controlo, o voo da LAMIA pediu prioridade para aterrar mas foi obrigado a esperar pois outro avião da VivaColombia tinha pedido prioridade para aterrar "como medida preventiva"

O piloto viu-se obrigado a dar voltas no ar enquanto esperava autorização para aterrar e tinha à sua frente outros dois aviões.

A decisão do piloto

Poderia o piloto do avião ter evitado o desastre se tivesse comunicado mais cedo a falta de combustível? O diretor da aeronáutica civil da Colômbia afirma que sim.

Alfredo Bocanegra levantou esta questão apenas 24 horas depois da tragédia. Em declarações à imprensa colombiana, este responsável afirmou mesmo que o piloto, Miguel Quiroga, teria receio das consequências económicas para a companhia aérea que surgiriam se declarasse emergência por falta de combustível.

A hesitação de Quiroga terá feito perder um tempo precioso e, consequentemente, fatal.

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