A professora que acusa o candidato de Trump de assédio sexual

Christine Ford decidiu revelar a sua identidade para tentar evitar que Brett Kavanaugh chegue ao Supremo Tribunal norte-americano

A mulher que acusa de assédio sexual o candidato de Donald Trump para a vaga em aberto no Supremo Tribunal norte-americano veio este domingo a público revelar a sua identidade. Numa entrevista ao Washington Post, Christine Blassey Ford, uma professora universitária da Califórnia, conta como o juiz Brett Kavanaugh, de 53 anos, a terá agredido sexualmente, numa festa de secundário em 1982, quando ela tinha 15 anos.

Ford, hoje com 51 anos, diz que Kavanaugh, que na altura tinha 17, e outro adolescente a fecharam num quarto. "Enquanto o amigo ficou só a ver, Kavanaugh prendeu-a contra a cama e apalpou-a por cima da roupa, ao mesmo tempo que de forma atabalhoada lhe tentava tirar um fato de banho de uma peça e a roupa que trazia", relata o jornal. Ainda segundo o Washington Post, quando Christine Ford tentou gritar, Brett Kavanaugh tapou-lhe a boca. "Eu pensei que ele podia matar-me de forma inadvertida", conta.

"Eu pensei que ele podia matar-me de forma inadvertida"


A professora universitária de psicologia diz que após semanas de dúvidas sobre se deveria dar a cara, depois de em julho ter enviado uma carta a denunciar o caso à senadora democrata Dianne Feinstein, sentiu que agora a sua "responsabilidade civil está a superar a angústia e o terror em relação a possíveis retaliações".

Feinstein, que faz parte do Comité Judiciário do Senado, apoia a decisão de Christine Ford de expor a sua história "e agora que o fez, está nas mãos do FBI conduzir a investigação", comentou a senadora após a publicação da entrevista. A democrata quer que até lá a discussão sobre a nomeação para o Supremo Tribunal - um cargo vitalício - fique em suspenso. Mas do lado republicano parece haver vontade de avançar com o processo já esta semana. Chuck Grassley, senador que também faz parte do Comité Judiciário, veio lembrar que Kavanaugh se submeteu a seis investigações do FBI entre 1993 e 2018 que tais denúncias nunca foram sequer afloradas, considerando "perturbador" o timing deste caso.

Brett Kavanaugh já tinha negado "de forma categórica e inequívoca" as acusações em audições na semana passada, declarações relembradas agora pela Casa Branca, que se recusou a comentar estes últimos desenvolvimentos. Trump - também ele envolvido em escândalos sexuais - escolheu Kavanaugh, um juiz com posições controversas, por exemplo, sobre o aborto, para substituir o juiz Anthony Kennedy, que se aposentou aos 82 anos.

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