A mulher que tentou chegar à Casa Branca 144 anos antes de Hillary

A candidatura de Hillary está a ser comentada pelo mundo todo mas, antes dela, outra mulher concorreu à presidência dos Estados Unidos da América

Hillary Clinton fez história ao conseguir reunir os delegados necessários para se tornar a candidata democrata às eleições dos Estados Unidos, tornando-se a primeira mulher a concorrer à presidência do país por um dos dois partidos principais. Embora a vitória de Hillary seja notável, um facto deve ser destacado: apesar de ser a primeira com hipóteses reais de ganhar, Hillary não é a primeira mulher candidata à Casa Branca.

A primeira chamava-se Victoria Woodhull e concorreu às eleições há 144 anos. Victoria apresentou a sua candidatura em maio de 1872, muitos anos antes de as mulheres puderem sequer votar no país, como candidata do Partido pela Igualdade de Direitos. Os votos de Victoria não chegaram sequer a ser contados.

Lutava pela igualdade política e económica de direitos e de acesso a oportunidades e apresentava tendências marxistas. Victoria acreditava que o governo era um instrumento "para que uma classe impusesse as suas regras sobre as outras".

Com 33 anos, a mulher quebrava assim mais uma das muitas barreiras que ultrapassou ao longo da vida. Além da vida política, Victoria Woodhull foi corretora da bolsa, numa época em que a profissão era dominada por homens.

Victoria nasceu em setembro de 1838 e teve uma vida marcada por confrontos éticos e legais, porque recusava-se a conformar-se com o papel que era esperado de si. Defendia ideias desajustadas à altura, como os direitos das mulheres, a legalização da prostituição, a liberdade sexual e dizia que "a agitação do pensamento é o início da sabedoria".

Segundo a BBC, Victoria casou-se três vezes, a primeira quando tinha 15 anos. O primeiro marido de Victoria era um alcoólatra que a agredia frequentemente. Alguns historiadores acreditam que esta pode ser a razão da candidata defender o feminismo e o amor livre. Depois do divórcio, Victoria fundou com a irmã uma publicação semanal em que defendiam os direitos das mulheres como um "agente livre e independente, capaz de tomar as suas próprias decisões em matérias de negócios ou relações sexuais".

Foi durante o segundo casamento que Victoria começou a aprender os segredos da bolsa. Mudou-se para Nova Iorque com o marido e a irmã e começou a investir no mercado, até as duas fundarem uma empresa de corretores de bolsa.

Na data das eleições a que Victoria concorria, a candidata estava presa por ter denunciado na sua publicação algumas pessoas conhecidas e revelado casos de adultério.

Victoria mudou-se para a Inglaterra com a irmã após ter saído da prisão, segundo o Biography, onde continuou a lutar pelo feminismo mas também se dedicou à escrita. Victoria Woodhull morreu em 1927 na Inglaterra, e é ainda hoje um símbolo da luta pela igualdade.

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