"A corrida para o 3.º lugar ainda está em aberto"

Entrevista a Christoph Meyer, dirigente do FDP na região de Berlim.

Membro do partido que, entre 2009 e 2013, governou coligado com a CDU/CSU, Christoph Meyer sugere que, se a aliança se repetisse depois de domingo, o FDP preferiria ficar com a pasta das Finanças do que com o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Porque é que o seu partido, FDP, defende que o aeroporto de Tegel deve permanecer aberto?

É uma questão de capacidade, baseada em estimativas, que indicam que aquela se tornará reduzida. Neste momento há uma capacidade para 20 milhões de passageiros por ano, mas as estimativas para 2030 apontam para qualquer coisa como 45 milhões de passageiros. Estas estimativas, cruzadas com as infraestruturas existentes, dizem que haverá caos. E, por isso, esta é uma questão importante para nós. Lutámos para que o referendo em Berlim sobre Tegel fosse no mesmo dia das legislativas na Alemanha.

O FDP recuperou nas sondagens. Isso deve-se a este debate sobre Tegel?

É difícil para nós, depois de termos ficado de fora do Bundestag em 2013, recuperar. Nas eleições regionais do ano passado em Berlim esta questão ajudou-nos. Tegel serviu de porta para depois abordarmos outros assuntos. As pessoas passaram a ouvir-nos mais. A nível federal, temos um rosto, Christian Lindner, líder do partido e candidato a chanceler, que é bem conhecido.

Ainda acham que podem ser o terceiro partido ou o lugar parece assegurado pela Alternativa para a Alemanha (AfD)?

É surpreendente o caso da AfD. Mas vemos o mesmo noutros países. Eles têm respostas fáceis, populistas, discurso agressivo, exploram o tema dos refugiados, é um jogo fácil para eles. Mas penso que a corrida para o terceiro lugar ainda está em aberto. Não sei, porém, se isso é o mais importante. Para nós, o mais importante é ter mais de 5%, entrar no Bundestag. Quanto à AfD, todos sabem que a sua política não é solução para a Alemanha.

Qual a vossa posição sobre os refugiados?

Achamos que é preciso uma lei da imigração como a do Canadá ou a da Austrália. Que é preciso ajudar as pessoas que fogem da guerra, claro, mas assegurar que a sua presença é temporária e que regressarão aos seus países quando já não houver guerra. Expulsar toda a gente, como diz a AfD, não é solução. As pessoas já estão aqui. É preciso integrá-las.

Se o FDP entrar numa coligação com a CDU/CSU de Angela Merkel o que exigirá?

A lei da imigração, de que já falei, mas primeiro estamos focados em entrar no Bundestag, depois então se verá como serão as negociações de uma coligação.

Mantêm a vossa oposição aos resgates na zona euro e à união bancária?

Há regras a nível europeu que não podem apenas ser ignoradas por Merkel. Temos que debater que zona euro queremos no futuro. Queremos mais integração na UE, sim, mas dentro do enquadramento que existe. É a melhor forma de impedir os populistas de ameaçar a UE.

Quando olha para Portugal e vê que a economia melhorou, como alemão não sente orgulho por o seu país ter ajudado os portugueses?

Há várias possibilidades de ajudar os países que não são os resgates. O mecanismo de estabilização financeira foi criado quando estávamos no governo por exemplo.

Confirma que, desta vez, se entrar numa coligação com Merkel, o FDP, prefere ficar com a pasta das Finanças em vez dos Negócios Estrangeiros?

Primeiro temos que ver os resultados. Quem decidiria seria a senhora Merkel. Mas percebemos que em 2009 foi um erro aceitar os Negócios Estrangeiros, porque a política externa é gerida pela chanceler e concertada a nível europeu e por isso não é uma pasta importante.

Enviada a Berlim

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