A confidente que pode provocar a queda da senhora Park

Milhões na rua exigem a sua demissão, um pedido de desculpas público, queda abrupta nas sondagens - a presidente da Coreia do Sul está no centro da mais grave crise política no país em muitos anos.

A senhora Park Geun-hye estava, ainda que com algumas oscilações, bem colocada nas sondagens até às revelações explosivas - e o vocábulo está aqui à altura das circunstâncias - sobre a influência de uma amiga de longa data naquela que se tornou a primeira chefe de Estado da Coreia do Sul, em 2013. Surgidas há cerca de uma semana, forçaram a presidente, de 64 anos, a uma intervenção televisiva, a 28 de outubro, em que pediu desculpa por ter recebido "ajuda" informal de Choi Soon-sil, de 60 anos, uma das filhas do mentor de Park, Choi Tae-min, fundador e dirigente de uma seita religiosa. Os media locais referem-se-lhe como o "Rasputine sul-coreano".

Choi Tae-min adquiriu influência sobre Park após o assassínio de sua mãe, em 1974; o pai, Park Chung-hee, então presidente, foi assassinado em 1979.

Choi e Park conheceram-se em meados dos anos 70 e têm sido amigas e confidentes desde então, com a primeira a aconselhar a segunda na campanha presidencial de 2012 e depois da sua tomada de posse. Decorre uma investigação sobre o patamar de informação a que Choi, que nunca teve cargo público, teria tido acesso, e influência no governo.

A descoberta do portátil de Choi, e a difusão da informação nele contida, assim como a divulgação de conversas suas em que se refere a Park como "irmã" a quem tinha permanecido "sempre leal" deram origem a várias suspeitas. Sustentadas por uma declaração, sob anonimato, de um elemento do gabinete presidencial: "na hierarquia do poder neste país, Choi Soon-sil está no topo; segue-se Chung Yoon-hoi [marido de Choi e de quem ela se divorciou em 2014]; só então está a presidente."

No passado, Park dirigiu uma ONG fundada pelo pai de Choi e o marido desta foi assessor da presidente, quando ela era deputada. Funções que manteve quando Park entrou em funções.

Definida como pessoa esquiva e enigmática, Choi dirige duas fundações, criadas em 2015, cujos estatutos foram aprovados num espaço de tempo muito curto, e que receberam desde então vastas somas das principais empresas do país. Choi foi ontem detida em Seul.

Outra suspeita de favorecimento: há três anos, quando a filha de Choi, Chung , perdeu o título nacional de equitação, os juízes da competição foram investigados; os responsáveis pelo relatório final, em que se criticava Chung, foram afastados de funções. Ainda sobre a filha de Choi, media europeus revelaram que a Samsung comprou este ano um cavalo de competição para ela. Foi ainda descoberto que Chung foi admitida na prestigiada Universidade feminina de Ewha, após o estabelecimento ter mudado as regras de admissão.

Agora, a taxa de popularidade de Park está nos 17% e milhões pedem nas ruas a sua demissão.

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