750 mil na marcha pela libertação dos "presos políticos"

Carme Forcadell, em liberdade após pagar a fiança de 150 mil euros, não foi à manifestação por conselho do advogado. Ada Colau criticou Puigdemont

"Obrigado por nos lembrarem que não estamos sozinhos, como vocês também não estão, e que juntos, apesar das dificuldades, vamos conseguir." A mensagem de Raül Romeva, ex-conselheiro para os Assuntos Externos da Generalitat detido em Madrid, foi lida diante das 750 mil pessoas que, segundo a polícia municipal, ontem se manifestaram em Barcelona para pedir a libertação dos "presos políticos". Na multidão não estava a presidente do Parlamento, Carme Forcadell, a conselho dos advogados.

O protesto foi convocado pelas associações independentistas Assembleia Nacional Catalã (ANC) e Òmnium Cultural, cujos líderes Jordi Sànchez e Jordi Cuixart, foram os primeiros a ser presos a 18 de outubro. São acusados de sedição nos protestos prévios ao referendo de 1 de outubro. Da parte do ex-governo catalão, são oito os detidos desde o dia 2 de novembro. Estão acusados de rebelião, sedição e peculato na organização desse mesmo referendo e consequente declaração unilateral de independência. Foram lidas cartas de todos.

Desde Bruxelas, o ex-presidente da Generalitat, Carles Puigdemont, que aguarda a decisão da justiça belga sobre o pedido de extradição junto com quatro ex-consellers, enviou uma mensagem vídeo pedindo aos catalães que "continuem ativos". E no Twitter partilhou uma foto onde se via os manifestantes a usarem os telemóveis como se fossem velas para iluminar a rua Marina, em Barcelona: "A vossa luz chega-nos a Bruxelas e ilumina o caminho que temos que continuar a seguir. São a nossa força", escreveu.

Carme Forcadell, a presidente do Parlamento catalão que pagou 150 mil euros para não ter que aguardar o decorrer do processo na prisão, foi aconselhada pelos advogados a não estar presente na marcha. Investigada também por rebelião, sedição e peculato na organização do referendo, Forcadell foi avisada que poderia voltar a ser presa caso insistisse no processo independentista.

Diante do juiz Pablo Llarena, do Supremo Tribunal, a líder do Parlamento admitiu que a declaração unilateral de independência foi simbólica. Também acatou o artigo 155.º da Constituição e comprometeu-se a seguir a atividade política apenas dentro da legalidade. Ausente da manifestação, Forcadell lembrou o nome de todos os detidos no Twitter, acabando a mensagem com a palavra "liberdade".

Segundo disseram à agência EFE fontes da Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), que lhe reservou um lugar nas suas listas para as eleições autonómicas de 21 de dezembro, Forcadell estará inclinada a não repetir a candidatura. Militante da ERC, a líder do Parlamento candidatou-se em 2015 como independente dentro do Junts pel Sí, tendo sido antes presidente da ANC.

Outra das militantes da ERC que faz parte da Mesa do Parlamento, e que teve que pagar 25 mil euros para não ser detida ao abrigo do mesmo processo que Forcadell, já anunciou oficialmente no Twitter que não se candidata. Anna Simó, que estava no quarto mandato, indicou que tinha tomado a decisão pessoal há mais de dois anos de que esta seria a sua última vez como deputada.

A ERC, que recusou a ideia de uma lista única independentista defendida pelo Partido Democrata Europeu Catalão de Puigdemont, terá Oriol Junqueras como cabeça de lista. O ex-vice-presidente da Generalitat é um dos detidos. Os outros militantes que estão presos ou que foram para Bruxelas, têm também lugar na lista, que só tem que ficar fechada a 17 de novembro.

A presidente da câmara de Barcelona, Ada Colau, esteve na manifestação, apesar de horas antes ter criticado o antigo governo catalão. "Eles fizeram a declaração de independência enganando a população por interesses partidários", afirmou antes do protesto. Colau acusou-os ainda de "ter causado tensão na Catalunha" e "criado um prejuízo económico terrível" com os seus gestos.

"Queremos que os presos sejam libertados, mas também queremos que um governo irresponsável que conduziu o país ao desastre enfrente [as suas responsabilidades] e reconheça os seus erros", disse. Colau atacou também Puigdemont: "Em vez de convocar eleições, fizeram a declaração de independência e desapareceram", deixando a Catalunha "sozinha face à incerteza".

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