30 anos a promover a língua e cultura portuguesas no Oriente

Artigo de Carlos Monjardino, presidente da Fundação Oriente, e Luís Faro Ramos, presidente do Instituto Camões, sobre o IPOR - Instituto Português do Oriente.

Criado a 19 de setembro de 1989, o IPOR - Instituto Português do Oriente celebrou recentemente os seus 30 anos. É claramente positivo o balanço que se faz no que respeita ao cumprimento da missão que os Associados fundadores - O Camões IP e a Fundação Oriente - lhe confiaram. Mas tão importante quanto o olhar que se lança ao passado é a perspectiva que, com a ambição que o trabalho de qualidade que tem feito lhe permite, se abre para o futuro da instituição, um futuro onde o IPOR acompanhe e responda aos grandes desafios da região onde desenvolve a sua ação, hoje centro do mundo.

A promoção da língua e da cultura portuguesa como plataforma para a preservação e a consolidação do diálogo entre Portugal e a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), que esteve na génese do IPOR, traduziu-se, ao longo da história da instituição, no desenvolvimento de múltiplas iniciativas e, sobretudo, de amplas parcerias com instituições daquela Região Administrativa Especial.

Desde logo, por via do alargamento da sua estrutura associativa, que passou a integrar parceiros de referência como a STDM - Sociedade de Turismo e Diversões de Macau, o BNU - Banco Nacional Ultramarino, a Hovione Farmacêutica ou a CEM/EDP, que, junto com os Associados fundadores, deram um forte contributo para a imagem positiva e o prestígio que o IPOR soube construir para si.

Também, ao longo dos anos, com diversas estruturas e serviços da RAEM, que consubstanciam parte importante das cerca de três dezenas de parceiros locais com os quais a instituição desenvolve formação na área da língua portuguesa a estudantes, quadros, cidadãos em geral da RAEM, dos Serviços da Administração Pública, a Universidades, das Forças de Segurança a escolas do ensino básico e secundário.

Atento às dinâmicas sociais e às oportunidades que se foram colocando em termos da língua portuguesa - língua também oficial na RAEM - soube ainda o IPOR acompanhar a evolução dos referenciais para o ensino de Português Língua Estrangeira, adaptando sistematicamente a sua oferta de formação (que vai de cursos para crianças a formações gerais e específicas a tutoriais). O Centro de Língua Portuguesa do IPOR, hoje com 17 docentes fixos com formação específica, tem, neste percurso, desenvolvido os múltiplas e inovadoras ferramentas e materiais, usados em várias instituições, dentro e fora da RAEM. Materiais que têm apoiado a sua ação e o contributo que vem conferindo para que os indicadores relativos a pessoas com competências em Língua Portuguesa na RAEM sejam os maiores de sempre, fruto da aposta que, sobretudo mais recentemente, tem havido nessa área pelo Executivo local.

No outro vetor da sua intervenção, a divulgação da cultura portuguesa, o IPOR tem-se também destacado na forma como tem ancorado essa ação enquanto promotora de um diálogo de Portugal com a RAEM, do Ocidente com o Oriente, de agentes culturais de um lado e do outro.

Em disciplinas que vão da música às artes plásticas, passando pelas artes digitais, cinema ou artes performativas, pela ação ou com a colaboração do IPOR já estiveram em Macau muitos e variados agentes culturais portugueses (143, só em 2019, em 98 iniciativas), numa intervenção que, contando com o importante apoio de serviços da RAEM (como relevo para a Fundação Macau ou o Instituto Cultural), tem também nos Associados e nas suas representações locais, em particular a Fundação Oriente, importantes parceiros nessa internacionalização das artes do nosso país.

2020 trouxe, por más razões, novos e difíceis desafios, mas também boas oportunidades para - a par dessa necessidade de reajustar procedimentos, mobilizar recursos e criatividade adicional, reforçar parcerias ativas e apostar em novas formas de comunicar e de formar - acelerar a reflexão quanto à estratégia de futuro, nomeadamente quanto ao papel que o IPOR pode assumir numa grande área geográfica - a chamada região Ásia-Pacífico - em grande crescimento e profunda transformação.

Ao ensejo, por parte da RAEM, de se tornar uma plataforma para o ensino-aprendizagem nessa região Ásia-Pacífico e, de modo muito especial, ao projeto da Área da Grande Baía(AGB), da República Popular da China, deverá o IPOR poder responder com o reforço das parcerias e da capacidade para igualmente reforçar o seu posicionamento nessas dimensões.

Um caminho - o de conferir ao IPOR a capacidade de intervir regionalmente - que, estabilizada e consolidada a estrutura, tem vindo a ser feito pouco a pouco e que assumirá uma importância crescente no futuro. Assim deve ser vista a colaboração que já existe com instituições de ensino superior na China, no Vietname ou na Tailândia, que se traduz em parcerias na realização de formação em língua portuguesa, na produção de materiais ou na organização de eventos ou seminários.

Assim também os cursos de formação e de atualização para professores que o IPOR tem vindo a desenvolver na Austrália, onde deverá ocorrer ainda este ano, em Melbourne, a abertura de um posto de docência, numa parceria com o Camões I.P. e com recurso ao programa "Empresa Promotora da Língua Portuguesa".

Este poderoso e importante instrumento de envolvimento do tecido empresarial em ações de apoio à divulgação da cultura e da língua portuguesa, que é gerido pelo Camões I.P., é também aquele que sustém o posto de docência que o IPOR abriu, em finais do ano passado, junto da Embaixada de Portugal em Pequim, que reforçará substancialmente a oferta da língua portuguesa na capital chinesa, tal como sucederá com a abertura de um Centro de Língua Portuguesa (CLP) em Chengdu, cidade do interior da China onde a formação de quadros em língua portuguesa se dirige sobretudo à comunidade médica, a técnicos de saúde e especialistas de planeamento familiar, visando programas de cooperação e desenvolvimento em diversos países da CPLP.

Outros projetos se perfilam, num momento em que são velozes as transformações na RAEM e no interior da AGB, com as 11 cidades que integram este megaprojeto económico, social e também cultural. Desafios que, de forma sustentada e privilegiando a marca de qualidade pela qual tem pautado a sua intervenção, o Instituto paulatinamente enfrentará, para o que conta com uma equipa motivada e qualificada. É este, afinal, o elemento nuclear com o qual o IPOR tem contado, no seu percurso, para atingir os objetivos anualmente definidos pelos seus Associados, no contexto da matriz estatutária que o define.

As metas, essas continuam a ser vistas como o compromisso orgânico de toda a comunidade do IPOR - dos Associados à Direção e aos colaboradores - que continuará a orientar o presente e o futuro do Instituto: assegurar e reforçar o diálogo intercultural entre Portugal e o Oriente, trabalhar com Macau enquanto plataforma de excelência na relação com a língua portuguesa e promover a imagem de Portugal como país moderno que, no contexto do multilateralismo em que firmemente acredita, se apresenta em constante renovação criativa daquele que pode ser o seu contributo para a promoção da cultura e do plurilinguismo na região Ásia-Pacífico.

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